Derrota programada

Nikão foi o melhor contra o Jorge Wilstermann. Foto: Albari Rosa

A paixão deve estar jogando, na conta da altitude, a derrota do Furacão, em Cochabamba, para o Jorge Wilstermann, por 3×2.

Perdoe-se esse egoísmo, mas há um fato a ser considerado: o Athletico, pelos seus segmentos técnico, físico, psicológico, fisiológico e o escambau, condicionou aos jogadores de que a altitude para jogar só é negativa acima dos 3 mil metros.

Então, com essa errônea consciência, foi orientado a jogar em Cochabamba, como se tivesse jogando na Baixada. Assim, informal, quis ir além da sua superioridade: jogar pressionando o Jorge, adotando, também a velocidade, sem maiores preocupações com o futuro do jogo. Ignorou que o jogo tem mais de 90 minutos.

Quero dizer que escrevo, em tese, não pelo que eu sei (e não sei muito), mas pelo que vi e ouvi (vejo e ouço tudo). Mas, há certas coincidências que se identificam com as conclusões do leigo em jogo na altitude: o Athletico perdeu, por dois pênaltis cometidos por Jonathan (fora de forma) e Paulo André, que já no primeiro tempo, fisicamente, estava em flagelo.

E não foi só em razão do desgaste físico voluntário, mas, também, porque ignorou que a altitude não prejudica apenas a condição física. Com o mesmo prejuízo, influi na velocidade da bola. O chute de Lodi, que originou o primeiro gol rubro-negro, só foi transformado em gol em razão dessa alteração de tempo da bola.

E, ainda, na ausência de Lucho González, há que se considerar a escalação de Léo Cittadini, um jogador impessoal que, sem alma, parece estar no mundo da lua. E com o fogoso Erick no banco. Aliás, é inexplicável que se despache Matheus Anjos e João Pedro para o Paraná, para manter Léo Cittadini.

A derrota não me levou e não me levar a sentar no meio fio para chorar as lágrimas de esguicho de Nelson Rodrigues.

Escrevo sem saber de Tolima x Boca. Independente, o Furacão irá passar para a próxima fase da Libertadores, não tenho dúvida. Mas, o que não posso, é transformar a paixão em hipocrisia colocando na conta da altitude em Cochabamba.

Nikão foi o melhor.

Confesso que senti pena de Nikão: correu e jogou, jogou e correu, deve estar, ainda, jogando e correndo, por ele, por Cittadini e por Camacho.

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