Debates não acontecem por acaso, são motivados por fatos. Há debates que podem parecer insensíveis, em razão do momento. No entanto, quando se trata de interesse público, a sua importância de fundo exige a superação de qualquer circunstância.

Aos fatos. Por um desconforto pessoal, Mario Celso Petraglia, o senhor do Athletico, submeteu-se a duas cirurgias. Superados os riscos naturais, sem que os exames acusassem gravidade, deve receber alta nas próximas horas, e logo voltar à rotina.

O fato, necessariamente, provoca um debate sensível a todos os atleticanos, e em especial, posso garantir, ao próprio Mario Celso Petraglia. Em metáfora, provoco a questão: e, se de repente, Petraglia resolver “pendurar as chuteiras”? Colocada de outra forma: e se Petraglia concluir ser o momento de se afastar desse ambiente fundamentalista do futebol, em que a obra por mais perfeita que seja, sempre está submetida ao resultado de campo?

Quando se notícia de que o Athletico pode encerrar 2019 com um faturamento de R$ 300 milhões, incentiva-se a ideia de que se tornou um clube autossustentável. A ideia, mais que enganosa, é perigosa: o autossustentável por não ser um estado natural, é vulnerável. A sua preservação é dependente da capacidade de administrar. A prova desse fato está na espiral falimentar de empresas familiares tradicionais, que imaginaram que os sucessores por lei teriam a capacidade de mantê-las.

Presumo que Petraglia tenha consciência de que a transformação do Athletico em sociedade anônima não será o bastante para sucedê-lo. É que um investidor, necessariamente, pode não ser o administrador. E, se o for, será um estranho à história do clube, porque independente da sua natureza jurídica, o Athletico continuará uma instituição de sua torcida.

A eleição do Athletico será em novembro. Não haverá oposição. Seria, até a hipótese de aclamação da indicação de Petraglia. Mas, isso, não o torna confortável. Ao contrário, dá-lhe mais responsabilidade para escolher as pessoas.

O fato ocorrido é um exemplo. Se ocorresse o impedimento de Petraglia, o presidente seria Márcio Lara. Haveria um contraste com a mediocridade.
Hoje o Furacão, pela primeira vez na Baixada, joga como campeão da Copa do Brasil. Se o VAR não intervir, deve ganhar do Fortaleza.