Pela segundona, no Couto Pereira, Coritiba 1×0 Bragantino. Agora, só uma extravagância do impossível pode impedir que os coxas voltem a jogar o Brasileirão.

No sábado, o desembargador José Hipólito Xavier da Silva, um coxa histórico, motivado por uma angústia, mandou-me essa mensagem: “Enfim, identifiquei meu estranho comportamento em relação ao atual momento do Coxa. Honestamente, é medo de ‘esperançar’”. Lembrou-me de ‘morreste-me’, do escritor português José Luiz Peixoto, qual avançando no tempo do verbo, lança um novo olhar sobre as palavras.

Se eu fosse coxa, também teria medo de ‘esperançar’. E qual coxa não teve esse medo quando Rafinha, e logo Rafinha, aos 13 minutos, perdeu o gol que perdeu. Na cara da meta vazia, chutou na igreja. É possível que Nossa Senhora do Perpétuo Socorro tenha pego essa bola e a devolvido cheia de benção. Só assim para superar os erros do técnico Jorginho e o medo ostensivo do time, que não tinha consciência da passividade do Bragantino.

E não tenho dúvida de que a bola jogada fora por Rafinha voltou abençoada. Não há como tratar o gol de Giovanni, no final do jogo, como um gol esperado. O chute de falta do meia, na última bola do jogo (não teria outra), foi entrar naquilo que a literatura do impossível diz ser o ‘cantinho direito’. Quer dizer, onde eventualmente uma bola pode entrar.

Os coxas merecem voltar ao Brasileirão. Não pelo que estão jogando, mas por ser Coritiba.

O insaciável Furacão

Com um olho no padre e outro na missa, vi o Furacão, sem trocadilho, cozinhar o Galo no Mineirão. O Atlético-MG correu e correu, lutou e lutou. E até fez dois gols, cuja ilegalidade foi acusada pelo VAR. Mas, no futebol, correr e lutar são coisas acessórias. Nada submete ao jogo inteligente, consciente e técnico, coisas que integram a natureza do Furacão formado por Tiago Nunes.