Há silêncio eloquente, já dizia o antigo jurista Sepúlveda Pertence, nos seus tempos de ministro do Supremo Tribunal Federal. Interpretada, a feliz expressão tem o significado de que, às vezes, a força do silêncio é maior do que das palavras. 

Então, qual a natureza do silêncio do Coritiba? É o eloquente ou o silêncio na sua natureza plena, que é aquele em que não há nenhum fato de relevância, ao contrário, só há fatos perturbadores na vida do clube? 

Não tenho o direito de especular, mas, tenho o direito de presumir. Embora a conclusão que adota um fato presumido corra risco de erro, afirmo que esse silêncio dos dirigentes do Coritiba está na angustia de que todos os planos foram arrastados pela negativa da Globo e da Turner em pagar os direitos de televisão. Como todos os clubes brasileiros, o castelo construído pelos coxas para 2020 foi de cartas. Bastou a televisão não pagar, para cair. Quando dirigentes ficam perturbados por esse motivo, o silêncio é feito de gritos insuportáveis.

A propósito, e o balanço contábil de 2019, o Coritiba não irá publicar? Se coxas tiverem algum problema, deveriam ir à Baixada. Lá, existem sobras de fórmulas mágicas para se alcançar um “superávit” de milhões, sem considerar que o patrimônio está indisponível judicialmente. 

Crise trabalhista

O ex-jogador Paulo André nega que nos R$ 750 mil que irá receber do Corinthians, em Reclamatória Trabalhista, foi incluída a indenização por domingo trabalhado e adicional noturno. O fato de existir ou não é irrelevante, porque houve acordo. Então, que pediu ou o que deixou de pedir já não é questão importante. 

O que o agora, na condição de executivo no futebol, Paulo André precisa responder se ele concorda ou não concorda a remuneração por jogos noturnos e no domingo.  Como ele trata da questão com os jogadores que lhe são subordinados? 

Ser leal não está entre as virtudes de Paulo André. Um dia, quando estiver longe do seu senhorio, mandará a conta para o Furacão.