O gerente de futebol Paulo André, do Athletico, já deveria ter aprendido que uma defesa às críticas, só se sustenta com fatos. É que os fatos, sendo a síntese da verdade, evitam que a defesa se afaste do ambiente de verdade. Se fosse dotado dessa consciência, Paulo André não divulgaria em sua rede social a mensagem que teria escrito (há controvérsias sobre a sua autoria) para se defender das críticas pelos equívocos das contratações.

Para se afastar de fatos incontroversos com Paulo André se agarra à linha do discurso oficial. Afastando-se da verdade, quer induzir a torcida ao engano. Após lembrar do sucesso do “projeto e modelo”, Paulo André adota o populismo de Petraglia: “Seria muito mais fácil apresentar 10 jogadores e sair nas fotos como se o trabalho estivesse feito”. Diz que é apenas um executor de ordens, mas, usando um pronome pessoal, inclui-se ao afirmar: “nós não traremos jogadores pagando 400, 500 mil reais de salários apenas para nos protegermos da opinião de terceiros”.

De início, Paulo André tem que responder quem são esses “terceiros”? As críticas de jornalistas e de atleticanos que têm o direito sagrado por profissão e por ideal de exercerem o direito de se manifestar sobre o clube. Entendo que dentro desse conceito, Paulo André é que é um “terceiro” face ao Furacão, por ser preposto que ganha R$ 200 mil por mês e ainda atrai negócios suspeitos, como o de Abner que beneficiou o seu empresário.

Exatamente por sempre ter respeitada a política de restrição financeira, é que a torcida tem o direito de criticar. Ela não compreende como o Athletico, ao mesmo tempo que diz controlar nos investimentos no time de futebol, compromete-se por contratos, em gastar R$ 40 milhões com Abner, Adriano, Marquinhos Gabriel, Carlos Eduardo e Fernando Canesin, todos vindos com a participação de Paulo André.

O amigo Cristian Toledo, nosso blogueiro central, escreve que Paulo André “defende o discurso de Petraglia”. Já vou além: Paulo André divulgou na sua rede social uma mensagem escrita ou ditada por Petraglia. A expressão “falácia” é exclusiva dos discursos oficiais. Se antes Petraglia só tinha responsabilidade em razão da hierarquia, agora, tem culpa por essa gastança. O preposto só executa. Amanhã volto ao assunto.