Um magistrado dos bons e atleticano dos grandes, provoca-me uma questão: o Athletico tem o CT do Caju, que é o melhor, e a Baixada, a arena mais bonita do Brasil. Nele, o mês para receber salários tem 25 dias; lá, no Furacão, o jogador é criado e tratado, como dizem os portugueses, a pão de Ló.

A questão me foi posta com duas ilustrações: o atacante Rony, ainda, estava sob um contrato, mas não teve nenhum constrangimento de entrar em crise com o clube. O zagueiro Léo Pereira gerado, criado, educado e consagrado no Athletico, ao ser apresentado ao Flamengo, simplesmente ignorou as suas origens.

Então, perguntou-me o magistrado: qual a razão para explicar essa contradição?

Resolveria a questão por uma resposta até razoável: a partir da Lei Pelé (1998), os interesses de jogador e clube passaram a ser conflitantes. É que os direitos de vinculo passaram a ser manipulados pelos empresários e o jogador acredita mais nele do que no clube. Esse distanciamento fez com que todos os clubes passassem a ser não um objetivo, mas um nível de passagem para o jogador. A única exceção foi Rogério Ceni, que terminou a carreira onde começou, no São Paulo.

Só que no Athletico é um pouco diferente. A cultura para negócios não é consequência de uma regra geral, como nos clubes de tradição. A consciência do jogador é educada para ir embora. Qualquer espírito de ideal é amputado por essa cultura.

Mas, não é só isso. O CT do Caju é uma zona cinzenta. A pressão que se exerce para a execução de determinadas tarefas é militar, às vezes, arbitrária. A tensão que esse ambiente cria é descarregada pelo jogador quando vai embora.

Não quero concluir que o Athletico erra. Entendo que, quando se reúne personalidades diferentes, das mais diversas classes sociais, o controle enérgico é necessário, pois do contrário, vira anarquia. Só que há a preocupação em despertar o orgulho que é jogar pelo Furacão. É consequência da profissionalização radical: o jogador sabe que não adianta ter espirito atleticano, se as intenções superiores não são muito transparentes.

Perguntar não ofende: E, os russos, do Paraná, onde andam?