O imortal Nelson Rodrigues já ensinava que, no futebol, uma vitória fazia qualquer notícia, por mais importante, amarelar da noite para o dia. Mais tarde, o notável Márcio Moreira Alves, cujo discurso em Brasilia provocou o AI-5, escreveu que nós jornalistas, às vezes, tratamos do óbvio e esquecemos o essencial. Tinha razão: no futebol, em regra, o jornalista só quer atender o interesse imediato do torcedor. E esse só quer saber se o time venceu, e se não venceu, a razão.

O título da Copa do Brasil fez os atleticanos esquecerem a grande questão que o clube está enfrentando e perdendo na Justiça: o crédito que a Paraná Fomento está exigindo do Athletico, que pela sentença já passa dos R$ 600 milhões. Para tratar da questão, um dia da semana passada, o presidente Mário Celso Petraglia foi ao Palácio Iguaçu pretendendo falar com o governador Ratinho Junior. Não conseguiu passar da sala de Guto Silva, chefe da Casa Civil, atleticano e dos grandes. O legalista governador já havia mandado o recado: ajuda o Athletico, desde que seja dentro da lei.

Já há a superação da divisão em três, na medida em que a Paraná Fomento concorda em descartar multas contratuais, processuais e honorários. O que é superior a R$ 600 milhões, seria reduzido para R$ 400 milhões, parcelados em 180 vezes, ou 15 anos. Mas, o que quer Petraglia, afinal? Será que consegue dormir sabendo que há uma faca no peito do Athletico, que de repente, a mão que a segura pode escorregar?

Coerência

Por enquanto, nego-me a escrever sobre o Campeonato Paranaense. Em um campeonato em que, de doze clubes, classificam-se oito para a fase eliminatória, é possível afirmar que nessa primeira fase são jogos quase amistosos. Aprendi com o saudoso jornalista Hélio Teixeira que, às vezes, escrevemos sem a intenção de enganar o leitor, mas o engamos.

A própria Federação Paranaense de Futebol, internamente, quer esclarecer se o Paraná está legal ou não no campeonato. Insisto: está ilegal. Se há esse propósito, está certo o seu presidente Hélio Cury. Deveria, então, declarar publicamente as razões da legalidade ou não do clube. A omissão irá incentivar a desconfiança, que mais tarde, pode provocar litígios na tapetão.