O Athletico elegeu ontem o seu novo presidente: Mário Celso Petraglia. A afirmação desse fato pode até ser tratada com ironia. Como afirmar que o Furacão elegeu Petraglia como o seu novo presidente, se ele dividiu a supremacia de poder com Fornea e Adur até 2002, e depois, desde 2010, como presidente de direito e como presidente de fato. O fato afirmado encerra uma seriedade profunda. A sua análise tem que, necessariamente, partir da resposta à seguinte pergunta: por que Petraglia, depois de ter passado a régua e dividido a história do Furacão, doo patrimônio e no campo, impõe a sua auto eleição para a presidência de fato e de direito? A pergunta ganha um significado de relevo, por ela ter que ser precedida da consideração de que ainda, é um convalescente de grave enfermidade, que quase o levou a óbito há pouco tempo.

Eis a grande verdade: não foi pela ambição de continuar exercendo o poder, embora seja caracteristica indissociável da sua personalidade; e, não foi, também, por dinheiro, pois como executivo do Athletico sempre soube se remunerar. E, essa altura da vida, não é de poder e de dinheiro que Petraglia corre atrás. E nem o poder e o dinheiro sobrepõem à defesa da vida. Se, antes, Petraglia unia o amor pelo clube, a ambição pelo poder, e o ganho financeiro dentro dos critérios aceitos pelos rubro-negros, agora, só restaram duas razões: o amor pelo Athletico, e em razão dessa, a consciência de que ele é o úinico responsável pela oneração de todo o patrimônio do clube, em razão da construção da Baixada.

Dito de outra forma e em resumo: Petraglia se auto elegeu para acertar as contas com as quais, a arquibancada não se preocupa, mas que já alcançaram o tempo(ou até já passou do tempo) de terem uma solução. Diferente das outras vezes, agora, Petraglia tinha a obrigação de presidente de fato e de direito. Obrigação, aliás, indisponível, porque sabe que criou um “monstro” que precisa ser domado. E, como tudo o que faz, sempre tem um componente, é possível concluir aquele que escondeu desta vez. Das 300 vagas para o Conselho Deliberativo, preencheu apenas 160; do Conselho Diretor, o mais importante, preencheu quatro. Tenho a impressão que usando um ditado português, Petraglia que alguns ausentes da vida do clube “têm uma palavra a dizer”.

Quando existe a obrigação de fazer alguma coisa, não há heroísmo. E, isso, torna o ato, ainda, maior e mais nobre. E entendo que esse ato de Petraglia foi o mais importante de toda a sua história dentro do Furacão.