O treinador Rogério Ceni não vem para o Athletico. Se houve contraproposta, há uma única razão para o fato: o dinheiro.

Já tinha escrito que, entre todas as sugestões possíveis, a mais arriscada era Ceni. E só foi sugerida em razão da “República de Campinas”, que Paulo André fundou no CT do Caju. O empresário do “mito” é primo de Paulo André.

A questão de Ceni encerra uma verdade definitiva: existem dois Athleticos e há um conflito entre eles. Há o Athletico virtual e o Athletico real. Quem vai ao mercado contratar é o Athlético real, cuja fortuna não está nos majestosos Caju e Baixada, mas na administração de Petraglia, cuja a essência é ser racional nos gastos com o futebol. 

Mas, já entrando no mercado, o Athlético real é visto com os olhos arregalados por dinheiro. A imagem que se tem desse Athletico é virtual, não pesquisando que é uma instituição sem poder de investimento, com a sua capacidade de endividamento esgotada, porque tem que guardar dinheiro para pagar o seu patrimônio que continua penhorado (Baixada) e hipotecado (CT do Caju).

Um dos elementos que Petraglia usa para contratar é o de que o Athlético real é um exemplo de modernidade, com a Baixada coberta, o CT do Caju mais bem equipado e pagamento em dia. Essa conversa torna sensível só os principiantes que estão à procura de uma oportunidade. Quando o profissional é uma espécie de Antonio shakespeariano, saído do “Mercador de Veneza”, como é Ceni, não se sensibiliza e quer um pedaço da carne do Furacão. E com Paulo André sendo um fomento desse Athlético virtual, porque tem seus interesses, que não se conciliam com o real.  

Em momento como esse, que será necessário reformular o time, alguém como Paulo Autuori (ou, em especial, o próprio Autuori), faria muito bem na administração do futebol do Furacão. É uma pessoa honesta e que sabe os limites de uma instituição. 

E digo finalmente:  a hipótese de um argentino, de um uruguaio, do assistente de Guardiola, é modismo. Se não é um técnico com histórico de sucesso (e esse é caríssimo), aumenta o risco de fracasso técnico e de rescisão onerosa.

Se o técnico é apenas uma peça do sistema, então Petraglia que deixe esse menino Eduardo Barros iniciar o ano no ‘01’, e vá buscar o jovem Matheus Costa, o ex-Paraná, para comandar o ‘02’ no Estadual.