No domingo, em Florianópolis, contra o Avaí, o Furacão empatou sem gols, passou a régua e quase fechou a conta de 2019: bicampeão estadual, campeão nacional pela Copa do Brasil, campeão da Copa Suruga, no Japão, e 5º lugar no Brasileirão. Na sexta-feira, o acadêmico Carneiro Neto, na CBN, falou que se o Athletico, não tivesse dado primazia à Taça Libertadores e à Copa do Brasil, teria competido pelo título do Brasileirão. Indicou o Flamengo, como exemplo.

A tese é complexa. Pela campanha que o Furacão fez após a conquista da Copa do Brasil, embora tenha como premissa a hipótese de priorizar competições, é provocante.

Penso e concluo: o Furacão só poderia competir pelo título do Brasileirão se não houvesse o Flamengo de Jorge Jesus. A hipótese até seria possível, se o limite da supremacia fosse o Santos de Sampaoli.

E, ainda, assim, a admissão como hipótese, é controversa. Um campeonato como o Brasileirão, por ser de pontos corridos, não é decidido pelo critério, às vezes, alienado, do mata-mata. Não recepcionando a eventualidade, depende de uma regularidade. E, para isso, é necessário ter um grupo de jogadores que não dependa apenas da influência do treinador. É necessário que o time tenha a capacidade individual para resolver situações que as circunstâncias tornam um jogo igual.

Tomo como exemplo prático para concordar com o critério de prioridade adotado pelo Furacão, o seu artilheiro do ano: Marcelo Cirino. Não jogou por ter qualidade, mas por ser jogador que tem caso com o acaso. Cirino vai embora e, no entanto, não fará falta. Usando Cirino como exemplo, eu quero dizer é isso: o Athletico, e nenhum um outro, tinha time capaz de ganhar um Brasileirão, com esse Flamengo.

O projeto de futebol do Athletico em 2019, como em 2018, quando ganhou a Sul-Americana, foi absolutamente perfeito. Por ser racional com a sua capacidade de custo financeiro, apostou na Libertadores. Perdendo, apostou na Recopa. Perdendo, apostou na Copa do Brasil. Ganhando, desarmou a sua obrigação de competir.

Lá em cima escrevi que o Athletico passou a régua e quase fechou a conta em 2019. Falta, ainda, um fato que está para acontecer. Pode ser, o mais importante.