Bem mais do que as torcidas do Paraná e a do Coritiba, a Tribuna do Paraná colocou fogo nos atleticanos. Em um “mata-mata”, oferece a eles o direito de escolher “o maior jogador” da história do Athletico. 

Explico a razão pela qual é maior o incêndio entre os atleticanos. No Paraná, o majestoso Saulo, sempre foi uma unanimidade. E, não apenas por ser o melhor, mas por ser ídolo. Merecia uma estátua na Vila Capanema. No Coritiba, Krüger não foi o melhor jogador, mas, foi tanto idolatrado, que virou estátua. Saulo e Krüger eram um jogo de cartas marcadas.

No Athletico, na locução saudosa do ex-presidente Passerino Moura (1970), “o insubstituível nasceu morto”. Em razão de vivê-lo intensamente há 55 anos, afirmo que um dos fortes motivos da sua grandeza é ter nascido, educado e crescido em um ambiente de conflitos.    

O mata-mata proposto é mesmo incendiário: Sicupira x Assis; Djalma Santos x Renan Lodi; Nem x Thiago Heleno; Fernandinho x Kléberson; Alex Mineiro x Kléber Pereira; Adriano x Jackson; Bruno Guimarães x Nikão; Caju x Santos.           

Dirão que as proposições do jornalista Fernando Rudnick não têm equilíbrio, porque conflita épocas presentes e passadas. Pois, digo-lhes: a beleza da proposta está exatamente no choque dos tempos, mesmo no caso de algumas opções da mesma época, como nos casos de Alex Mineiro x Kleber Pereira, Bruno Guimarães x Nikão, Fernandinho x Kléberson. 

Não é fácil provocar o passado para ele viajar,  e entrar em confronto com o presente.  Mas, como ensina o nosso Papa Francisco, “somos donos de nossas escolhas, responsáveis por nossas decisões, os únicos donos da nossa vida”. 

As minhas escolhas são essas:

Sicupira x Assis: Assis foi mais jogador, mas, Sicupira é o maior artilheiro da história do Furacão; Djalma Santos x Renan Lodi: na história da Baixada, Renan Lodi é insuperável como lateral; Nem x Thiago Heleno: Nem, o capitão do maior título, o Brasileirão de 2001. Fernandinho x Kléberson: Kléberson ganhou o título nacional de 2001, que Fernandinho perdeu em 2004, e pôs a marca CAP no penta do Brasil, em 2002. Alex Mineiro x Kléber Pereira: Alex Mineiro; Adriano x Jackson: Jackson do Nascimento. O Athletico tornou-se o “Furacão” por causa dos seus gols em 1949. Bruno Guimarães x Nikão:  Bruno Guimarães, que foi o pensador do Furacão, nos títulos da Sul-Americana e da Copa do Brasil. Caju x Santos: Caju. 

O leitor notou que as escolhas de Alex Mineiro e Caju são feitas sem nenhuma explicação. Agora, explico, copiando o diretor de cinema John Ford no seu épico o “O Homem que Matou o Facínora”. Quando um senador diz ao jornalista que quem matou o facínora foi John Wayne e não James Stewart, o jornalista responde: “Aqui, é o Athletico (“o Oeste”, na frase de Ford), senhor. Quando a lenda é maior que o fato, publique-se a lenda.”

A vida me ensinou que a lenda torna-se mais verdade com o passar do tempo: o maior jogador da história do Athletico é Caju.