Na Baixada, contra o poderoso Grêmio, o Athletico vai iniciar os últimos dias do ano mais importante da sua vida já vivida: o ano em que conseguiu entrar numa espécie de forte Álamo, onde só cabia o poder central imposto pela tradição, que tinham o monopólio dos interesses do futebol brasileiro.

O Furacão não só entrou, mas o fez com a autoridade para impor regras e uma nova ordem de administração racional, com reflexos diretos nos resultados de campo.

Como o Flamengo, pelos mais diversos motivos, sendo uma exceção, o Athletico, repetindo uma grande conquista (agora, a Copa do Brasil), sem dívidas operacionais e com ricos ativos de direitos sobre vínculos de atletas, vai terminar a temporada de 2019 como o exemplo a ser seguido. E essa conquista ganha mais relevância, porque operou-se em um mercado, ainda, tratado como secundário e periférico do futebol brasileiro.

É preciso que a torcida coloque um pouco de responsabilidade no seu sentimento, empurrando-o hoje à noite para a Baixada.

Coisas de rivais

Fico sabendo que a caixa de mensagens eletrônicas do treinador Geninho, do Vitória, já está cheia. São atleticanos apelando para o ‘coração rubro-negro’, que comandou o Athletico na maior conquista da sua história, o Brasileiro de 2001.

São coisas da rivalidade, que no futebol atual, como fatores de decisão, são irrelevantes. Mas que Geninho esconde no fundo do coração a vontade de satisfazer sempre a torcida que o consagrou, não tenho dúvida.

Porém, o treinador não pode fazer muita coisa. Conseguir livrar o Vitória da 3ª. Divisão já foi um trauma. Pedir mais do que a normalidade, Geninho sequer será ouvido. Há três meses, os jogadores do Vitória não veem um centavo de real.

À essa altura da vida, eu entendo que o que Geninho tinha que fazer pelos atleticanos, já fez. Deixem os coxas em paz.