Na Baixada, pelo Brasileirão, Athletico 2×0 Grêmio. Às vezes, quando as coisas se tornam rotina, em especial para o bem, elas começam a se tornar confusas. O Furacão anda jogando tão bem, fazendo uma partida melhor que a outra, que começo a ficar confuso.

Confesso que não me lembro qual a última vez que jogou como jogou ontem para vencer o Grêmio. Fez um jogo tão precioso, que em certos momentos desafiou a própria natureza do futebol: foi perfeito.

Como na jogada do primeiro gol de Márcio Azevedo, quando Rony abriu seu catálogo pela esquerda. E, ainda, no 1º tempo, o Furacão, só não fez o segundo gol, porque a bola caiu com Marcelo Cirino que, é claro, chutou para fora.

E, aí, veio o 2º tempo. O Furacão resolveu ir além de jogar bem. Passou a maltratar (os gaúchos diriam, surrar) o time de Renato Gaúcho. Nikão fez o segundo gol de pênalti, e o “Imortal” perdeu a cabeça (Tardelli foi expulso) e o rumo.

O Furacão ganhou um novo freguês e o Grêmio ganhou o consolo de que não precisará voltar a Baixada nesse 2019. Rony foi o melhor em campo.

O eterno Airton

1982, Couto Pereira. Havia 12 anos que o Athletico não ganhava o Estadual. Mas, daí, aconteceu no gol da igreja: o meia Lino, vindo de trás, de cabeça, marcou o primeiro dos quatro gols do Atlético sobre o Colorado (4 x 1).

Repórter da Rádio Independência, esperei pelo momento mágico da narração de Airton: “Joel Mendes, carimbe a fatura e mande o ataque cobrar”. O gol narrado por Airton nem parecia ser de um Ferroviário de coração. Não sei, mas sempre desconfiei que o coração do torcedor Airton não tinha reserva para “Boca-Negra”.

Não conheci nenhum narrador que tivesse tanto equilíbrio para fazer sobrepor a imparcialidade aos sentimentos. Essa era apenas uma, entre tantas virtudes que tinha como narrador. De estilo clássico, sem fantasias, sem observações periféricas, a sua narração contava o que aconteceu, e o que poderia acontecer. A sua arte em narrar futebol era absolutamente perfeita.

À família de Airton, o meu consolo e o meu respeito pelo grande homem que foi.