Às vezes, acreditamos na ideia de que o futebol paranaense já não é mais da periferia do futebol brasileiro. Somos, assim, teimosos, porque recorremos à eventualidade como conforto. O título nacional do Coxa, em 1985, o do Athletico, em 2001, e agora os mais recentes do Furacão, a Sul Americana (2018) e a Copa do Brasil (2019), parecerem serem o bastante.

Depois da grande conquista de 1985, o Coxa não ganhou mais nada de expressão. Depois do título brasileiro de 2001, o Athletico só foi ganhar um título de repercussão em 2018, a Sul Americana. Entre um e outro, portanto, passaram-se 17 anos. Quando o período de tempo entre uma conquista e outra é alongado, ganhar torna-se um fato produzido muito mais pelo acaso do que por um projeto que tenha o mínimo de sequência.

Embora não os perdoe, os coxas têm o argumento de que o clube, há muito tempo, está virado do avesso por um sistema político de vaidade, egoísmo, incompetência, traição e interesses.

Já o Athletico está sob a mesma bandeira do futuro e do arbítrio há 25 anos. Quando parece ter ganho o rumo definitivo, desmente a si próprio. Não sendo autossuficiente, é incapaz de manter um grande time de um ano para o outro. Sempre está recomeçando.

Dirão que construiu duas arenas na Baixada e o CT do Caju, o mais moderno do Brasil. Mas esses fatores só poderão ser considerados, no momento em que a Baixada e o Caju não estiverem mais alienados por penhora ou hipoteca.

Continuamos, assim, periféricos.

Desafio

O presidente do Conselho Deliberativo do Athletico é Aguinaldo Coelho de Farias. Não o conhecendo, adoto referências de quem o conhece: é uma pessoa de bem, atleticano de berço.

O que eu gostaria de saber é se o Dr. Aguinaldo, entre tantos atributos, é dotado da virtude da independência para o exercício de uma função pública como é de presidente dos conselheiros do Furacão.

Agora, surge-lhe um grande desafio: propor voluntariamente, a revisão do processo que excluiu o ex-presidente Marcos Malucelli, do Athletico, diante da sentença transitada em julgado que reconheceu a conduta irrepressível como presidente. A revisão seria seguida de pedido de desculpas. Definitivamente, sem precisar conhecê-lo pessoalmente, afirmaria que Aguinaldo é um homem de bem.