Para essa época de carência emocional em razão da pressão causada pela Covid-19, uma final em dois Atletibas, de um campeonato pobre como é o Paranaense, não deixa de ser um consolo.

Mas, sejamos razoáveis. Não é possível afirmar que essa final pudesse ser anunciada lá em março, quando o campeonato foi suspenso. Não se pode garantir, adotando como referência fase classificatória, se Athletico ou Coritiba, ou os dois, chegariam à final sem traumas.

Seus adversários nessa semifinal, FC Cascavel (Furacão) e Cianorte (Coritiba), por razões estruturais, foram empobrecidos técnica e fisicamente pela pandemia. O Cascavel, em especial, porque o verdadeiro não foi aquele goleado na Baixada (5×1), mas o que submeteu o Furacão ao seu domínio no empate (0x0), lá no Oeste.

O Coritiba não foi muito diferente, porque passou pelo Cianorte (3×2 e 2×0), muito mais pela camisa do que pelo seu jogo. Aliás, esse último, como no segundo tempo em Cianorte, frustrante para o seu torcedor. Por isso, afirmo: Furacão e Coxa são finalistas por exclusão.

No futebol, quando a escolha é por exclusão, qualquer coisa diferente de um jogo bruto, rústico e sem qualidade, será um algo surpreendente. Confesso que não tenho muitas esperanças.

Mas, enfim, é Atletiba. Pior seria se um se desgarrasse.

Os historiadores irão um dia irão identificar como o “Atletiba da pandemia”, embora corra o risco de ser tratado, como o da melancolia.

Visitando a história do clássico contada na obra “Atletiba – A paixão das multidões”, de Carneiro Neto e de Vinicius Coelho chegamos ao Estadual de 1933.

Resumindo o que lá aconteceu: porque quase todos os seus jogadores estavam em quarentena, em razão do vírus da gripe, e não querendo se submeter a nova goleada, como em 1932 (6×1 e 5×2), o Atlético se negava a jogar.

Mas, oportunista, o Coritiba exigiu o jogo, obrigando o Furacão a jogar em estado febril. Resultado: com gols de Mimi e Marreco, o Rubro-Negro ganhou dos coxas por 2×1. A história lembra esse jogo como o “Atletiba da Gripe”, e o Atletico passou a ser chamado de “Time da Raça”, até chegada do Furacão, em 1949.