Na despedida na Baixada, do Brasileirão, Athletico 1×0 Santos. Nessa época de analistas técnicos, às vezes, eu tenho vontade de dizer adeus ao jornalismo. É que, ainda, eu sigo a lição de Nelson Rodrigues.

Ensina, aí, Mestre: “Em futebol, o pior cego é o que só vê a bola. Se o jogo fosse só a bola está certo. Mas há o ser humano por trás da bola. E digo mais: a bola é um reles, um ínfimo, um ridículo detalhe. O que procuramos no futebol é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão.”

Então, leitor, me entenda, eu imploro. Eu não vi o jogo com os olhos. Eu vi o jogo com a alma. Por ser sensível aos valores da vida, aprendi que a alma, também, tem razão. E, por isso, consegue ver as mesmas coisas que os olhos vêm.

E o que eu vi na Baixada foi o Furacão ‘precioso, como diriam os espanhóis. Com humildade, sem a vaidade e orgulho de querer correr riscos, aceitou que o Santos poderia ser superior. Bem por isso, absorveu a técnica santista, deixando para o extraordinário goleiros acalmar os ânimos.

No segundo tempo, com Madson no lado direito, e Lucho González mais à frente, o Athletico foi o Furacão que nos comove. Foi simplesmente perfeito no gol de Marco Rubens, em jogada desse incrível Rony.

Se o notável argentino Jorge Valdano fosse o comentarista do jogo, diria que o Furacão não jogou a toda velocidade, mas a todas as velocidades. Diria que o time comandado por Eduardo Barros jogou bolas curtas e longas, verticais e horizontais, no pé e no espaço.

E chega de citar os mestres. Volto à minha insignificância. E por ela, peço permissão para agradecer ao Furacão por esse 2019.

O melhor do jogo?

Estou entre Léo Pereira e Lucho González. Penso e, já tomando um ‘Poty’, da vinícola Araucária, escolho: Lucho González. Enquanto jogou, parecia jogar o primeiro jogo da sua vida.