Na edição de 20 de março de 2017 da Tribuna do Paraná, na coluna “Novo Mundo, o início”, depois de motivar o tema, escrevi: “As redes sociais foram inundadas com a repercussão do Blog do Paulinho. Está lá: Polícia Federal quer prisão de Mário Celso Petraglia em inquérito que investiga esquema milionário de “lavagem de dinheiro”.

Pela minha consciência de jornalista, sou obrigado a voltar ao tema. Em despacho de 5 de junho de 2018, no Inquérito Policial nº 0002267-93.2010.4.04.7000/PR, a juíza de Direito Federal Gabriela Hardt, da 13ª Vara Criminal, decidiu atender ao pedido do Ministério Público Federal e mandou arquivar o processo. Entre os fundamentos centrais da decisão, a doutora Gabriela está o fato de que“não há crime de dissimulação ou ocultação de valores ilicitamente adquiridos”. É ela quem comanda a execução da pena de Lula.

Uma decisão importante para o Atlético, sem dúvida.

Lá atrás, escrevi que a identidade de Petraglia com o Furacão é tão forte que não é possível separar um do outro. Uma decisão que alcançasse Petraglia iria ricochetear no Furacão.

Pode o leitor não acreditar, pensar até que estou de ironia, mas afirmo que gostei da decisão. Lá atrás, por ocasião do fato público e repercutido, perguntei-me: o que aconteceria se Petraglia, por uma decisão judicial, ficasse indisponível para comandar o clube? Seria capaz de fazer como Luiz Inácio Lula da Silva está fazendo para comandar uma eleição para presidente do Brasil? Talvez. Sei lá, poderia ser.

O importante é que Mário Celso Petraglia sequer foi denunciado. Ao contrário, o vigor da decisão está no fato de que a iniciativa de pedir o inquérito foi do Ministério Público Federal. E mais importante: uma coisa é ser absolvido por falta de provas; a outra é por inexistência da prática de ilícitos. Àquela, a conclusão não alcança o mérito e pode ser reaberta; nessa, as provas obrigam o julgador concluir pela inexistência de prática de ilícitos decisão apanhou a segunda hipótese para mandar arquivar.

Essa é uma coluna em homenagem ao doutor Mário Celso Petraglia.