Por Roni Miranda, secretário de Estado da Educação do Paraná
Nesta segunda-feira (27), mais de 1,1 milhão de estudantes retomam as aulas nas 2.082 escolas estaduais distribuídas pelos 399 municípios do Paraná. É uma mobilização de grandes proporções, que reúne alunos, professores, pedagogos, diretores e milhares de outros profissionais responsáveis por fazer a escola funcionar todos os dias. Depois da pausa de julho, o reencontro traz a energia própria de um novo começo e, ao mesmo tempo, a continuidade de um trabalho conduzido por educadores e gestores muito competentes.
O segundo semestre exige atenção especial. É o momento de consolidar o que foi aprendido na primeira metade do ano, identificar dificuldades e avançar nos conteúdos previstos para cada etapa de ensino. Para muitos estudantes, sobretudo os que se aproximam da conclusão do ensino médio, é também um período de escolhas importantes. A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ganha intensidade, com revisões de conteúdo, resolução de questões e orientações que ajudam os jovens a se organizar para a prova.
Também neste semestre, a Prova Paraná Mais permitirá que estudantes da rede estadual concorram a cerca de 4,7 mil vagas em instituições públicas de ensino superior parceiras. Na sequência, o Enem abrirá outras possibilidades de acesso à graduação, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). São oportunidades que podem definir os próximos passos da vida acadêmica e profissional de milhares de jovens e que pedem dedicação dos estudantes, apoio da escola e presença da família.
Essa presença começa em atitudes cotidianas: ajudar a reorganizar os horários depois das férias, acompanhar a frequência, perguntar como foi o dia, oferecer um ambiente possível para o estudo e demonstrar interesse verdadeiro pelo que acontece na escola. Com os adolescentes, acompanhar não significa controlar cada decisão, mas manter o diálogo aberto, estar atento a mudanças de comportamento e ajudar a construir autonomia com responsabilidade.
Quando uma mãe, um pai, um avô, uma avó ou outro responsável demonstra que a escola importa, o estudante entende que seu esforço também importa. Esse vínculo contribui para a assiduidade, para a confiança e para a disposição de enfrentar as dificuldades naturais do processo de aprendizagem. Também fortalece o respeito aos professores, profissionais que conhecem de perto o percurso de cada turma e precisam contar com a parceria das famílias para orientar os alunos.
A comunicação entre casa e escola é especialmente importante quando surgem faltas recorrentes, queda no rendimento, desmotivação ou problemas de convivência. Quanto mais cedo essas situações são percebidas, maiores são as possibilidades de acolher o estudante e buscar caminhos em conjunto. A escola dispõe de equipes preparadas para esse diálogo, mas ele se torna muito mais efetivo quando as famílias participam das reuniões, mantêm seus contatos atualizados e procuram os profissionais sempre que houver dúvidas ou preocupações.
A comunidade também faz parte dessa rede. O entorno da escola, as organizações locais e os diferentes espaços de convivência podem colaborar para criar um ambiente que valorize o conhecimento, proteja crianças e adolescentes e reconheça o trabalho dos educadores. Uma escola aberta à escuta estabelece vínculos mais sólidos com o lugar onde está inserida; uma comunidade que se aproxima compreende melhor seus desafios e pode contribuir para enfrentá-los.
A volta às aulas é, portanto, um chamado à retomada de rotinas e compromissos compartilhados. Aos estudantes, cabe reencontrar os colegas, os professores e a própria curiosidade de aprender. Aos profissionais da educação, renovar o trabalho cuidadoso que sustenta uma rede de mais de um milhão de alunos. Às famílias e à comunidade, seguir próximas, porque nenhuma trajetória escolar se constrói sem diálogo e confiança. Que este segundo semestre seja vivido com entusiasmo, seriedade e cooperação!
