Por Roni Miranda*
Antes de qualquer indicador ou política pública, a educação nasce em gestos cotidianos que raramente aparecem nas estatísticas: alguém que desperta o filho para mais um dia de aula, organiza a mochila na noite anterior, pergunta sobre a prova ou insiste para que ele não falte.
São movimentos quase imperceptíveis, mas carregados de significado. Em cada um deles, o estudante recebe a mesma mensagem: a escola tem valor. E ele também.
O Paraná é hoje uma referência nacional em educação. No Ideb 2023, conquistou o primeiro lugar no ranking geral da educação básica e liderou, entre as redes estaduais, os resultados dos anos finais do Ensino Fundamental. São números que refletem planejamento, investimento contínuo, acompanhamento pedagógico e o compromisso diário dos profissionais da educação.
Mas nenhum avanço se constrói de forma isolada. Por trás de uma rede que evolui, existem famílias que acompanham a rotina escolar de perto: mães, pais, avós, tios, irmãos mais velhos e responsáveis que perguntam sobre as aulas, incentivam a frequência e fazem da educação uma prioridade dentro de casa.
Desde o início do nosso trabalho na Secretaria da Educação, sabíamos que não seria possível avançar sem estar lado a lado com as famílias. A escola ensina, organiza o percurso pedagógico e acompanha os resultados. A família cria vínculos, incentiva a presença, valoriza o estudo e ajuda a sustentar a rotina. Quando essas duas forças caminham em sintonia, o aluno se sente mais seguro para aprender e mais motivado para permanecer.
Em 2026, a valorização da relação entre escola e família se tornou ainda mais um eixo central das ações da Secretaria da Educação. Ao longo de todo ano, temos investido em ações estratégicas, como encontros com as equipes gestoras, visitas às escolas e atividades lúdicas e de integração no contraturno escolar.
Como parte desse planejamento, promovemos uma mobilização inédita e simultânea em 2 mil escolas paranaenses com a Semana da Família na Escola, em abril, que trouxe pais e responsáveis para o ambiente escolar, com acolhimento e estímulo ao senso de pertencimento, resultando em uma participação expressiva da comunidade. Até dezembro, uma infinidade de ações estão planejadas para aumentar a presença das famílias na rotina escolar.
E tudo isso dialoga diretamente com a data celebrada hoje, 15 de maio, o Dia Internacional das Famílias, instituído pela ONU em 1993. Neste ano, o tema proposto é “Famílias, Desigualdades e Bem-Estar Infantil”, uma reflexão que se conecta ao papel que a educação pública desempenha na redução das desigualdades, no fortalecimento dos vínculos e na construção de oportunidades para o futuro.
No Paraná, a inclusão é uma palavra de ordem: tudo é construído pensando em atender 100% da nossa rede de ensino, independente de qual seja a raça, a classe social, necessidade do aluno ou o endereço da família. Isso se materializa na ampliação de políticas que fortalecem, ao mesmo tempo, a aprendizagem e a rede de apoio às famílias, entre elas, a educação em tempo integral.
Nos últimos anos, o Programa Paraná Integral consolidou escolas mais acolhedoras, seguras e preparadas para oferecer uma formação ampla aos estudantes. Em 2026, a iniciativa atende cerca de 98 mil alunos em quase 500 escolas de todo o Estado. Com jornada de nove horas diárias, cinco refeições por dia e acompanhamento pedagógico diferenciado, a escola integral amplia o acesso a atividades culturais, esportivas, tecnológicas e socioeducativas.
Para muitas famílias, isso significa a tranquilidade de saber que seus filhos estão em um ambiente protegido, estimulante e capaz de ampliar perspectivas de futuro.
Reduzir desigualdades passa justamente por garantir que cada estudante tenha condições reais de chegar, permanecer e concluir sua trajetória escolar. E isso envolve muito mais do que o conteúdo ministrado em sala de aula. Envolve alimentação adequada, acesso ao esporte, às tecnologias indispensáveis para o presente e para o futuro, além de ambientes escolares que promovam a convivência, pertencimento e segurança. Os resultados aparecem de forma concreta: entre 2021 e 2023, o ensino médio em tempo integral registrou crescimento de 18% na nota média do Ideb, o maior avanço do Brasil no período.
Essa relação de proximidade e confiança entre escola, estudantes e famílias também se reflete em outras iniciativas da rede estadual.
Nos Colégios Cívico-Militares, 89,3% dos pais e responsáveis aprovam o modelo, cuja implantação ocorre a partir de consulta e diálogo com a comunidade escolar.
Já no Ganhando o Mundo, criado em 2022 e hoje reconhecido como o maior programa de intercâmbio estudantil da América do Sul, essa confiança se transforma em oportunidade de transformação de vida. Até o fim de 2026, serão 4.540 estudantes intercambistas. Jovens que embarcam para novas experiências impulsionados pelo incentivo e pela confiança de suas famílias. Nesta edição, 10% das vagas são destinadas a estudantes de famílias beneficiárias do Bolsa Família, ampliando horizontes para jovens que, muitas vezes, nunca imaginaram a possibilidade de viver uma experiência internacional.
Bons resultados educacionais dependem de políticas públicas consistentes: professores valorizados, gestão eficiente, infraestrutura, tecnologia e programas capazes de alcançar diferentes realidades. Mas dependem também de uma cultura que reconheça a educação como prioridade coletiva. E o primeiro elo dessa construção, quase sempre, nasce dentro de casa.
Neste Dia Internacional das Famílias, nossa homenagem é também um convite: que as famílias sigam participando ativamente da vida escolar de crianças e jovens, e que as escolas continuem abertas ao diálogo, à escuta e à construção conjunta de caminhos para o futuro.
* Roni Miranda, secretário de Estado da Educação do Paraná
