Existe uma preocupação financeira que costuma ser adiada por muitos anos: de onde virá o dinheiro quando o trabalho deixar de ser a principal fonte de renda? A pergunta vale para quem é empregado, profissional autônomo e, especialmente, para empresários que muitas vezes concentram grande parte do patrimônio e da expectativa de futuro no próprio negócio.

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Acumular patrimônio é importante, mas existe uma segunda etapa que precisa fazer parte do planejamento: como transformar o patrimônio construído ao longo dos anos em uma fonte de renda no futuro?

É justamente para essa finalidade que existe o Tesouro Renda+, título público desenvolvido dentro do Tesouro Direto para quem pretende acumular recursos ao longo do tempo e, posteriormente, receber pagamentos mensais. Apesar de conversar diretamente com o planejamento da aposentadoria, ele possui características próprias que precisam ser compreendidas antes de investir.

Como funciona o Tesouro Renda+?

A lógica pode ser entendida em duas etapas. Durante a primeira, chamada de período de acumulação, o investidor realiza aportes e constrói patrimônio. Posteriormente começa a fase de recebimento, na qual o dinheiro acumulado é transformado em pagamentos mensais durante um período determinado.

Essa estrutura muda a maneira de pensar o investimento. Em vez de observar somente quanto dinheiro foi acumulado, o investidor começa a planejar quanto de renda deseja receber no futuro e quando precisará dela.

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Para entender melhor, imagine uma pessoa de 40 anos que pretende reduzir seu ritmo de trabalho aos 60. Ainda existem duas décadas para acumular recursos. O planejamento pode ser feito pensando nos aportes necessários durante esses anos para construir uma renda complementar a partir daquele momento.

Essa lógica também ajuda a evitar três problemas comuns de quem chega ao futuro com algum patrimônio, mas sem estratégia para utilizá-lo:

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– gastar o patrimônio rapidamente demais;

– ter receio constante de consumir o dinheiro acumulado;

– continuar vivendo com insegurança financeira mesmo possuindo recursos.

E a inflação? Quanto valerá sua renda daqui a 20 anos?

Esse é um dos pontos mais importantes do Renda+. O título segue uma lógica semelhante à do Tesouro IPCA+, combinando a variação da inflação com uma taxa de juros definida no momento da aplicação.

Isso importa porque não basta planejar receber R$ 5 mil ou R$ 10 mil mensais no futuro sem considerar o poder de compra desse dinheiro. Uma renda que parece confortável atualmente poderá representar muito menos daqui a 20 ou 30 anos.

Imagine, apenas para compreender o funcionamento, um título contratado a IPCA + 6% ao ano. Se a inflação fosse de 5%, a rentabilidade nominal seria de aproximadamente 11% naquele período; com inflação de 8%, ficaria próxima de 14%. O componente atrelado ao IPCA busca justamente proteger o poder de compra, enquanto a parcela prefixada representa o ganho real contratado, consideradas as regras do título e sua manutenção conforme previsto.

Tesouro Renda+ e Tesouro IPCA+ são iguais?

Embora exista semelhança na forma de remuneração, a finalidade é diferente. No Tesouro IPCA+ tradicional, o investidor normalmente está construindo um montante que receberá no vencimento. No Renda+, a estrutura foi pensada para converter os recursos acumulados em uma sequência de pagamentos mensais no futuro.

Por isso, ele pode ser analisado como uma das alternativas dentro de uma estratégia de aposentadoria complementar, principalmente para quem pretende reduzir a dependência de uma única fonte de renda futura.

Para o empresário, essa discussão merece ainda mais atenção. É comum encontrar pessoas que passaram décadas construindo uma empresa e presumem que o próprio negócio será sua aposentadoria. Entretanto, concentrar patrimônio e renda na mesma empresa também significa concentrar riscos. Mercado, concorrência, tecnologia, economia e até a própria capacidade de gestão podem mudar ao longo de 20 anos.

Construir patrimônio financeiro fora do negócio pode ajudar a reduzir essa dependência.

Quando o Tesouro Renda+ pode fazer sentido?

Antes de investir, algumas perguntas ajudam a entender se o produto está relacionado ao seu objetivo:

– Você está pensando no longo prazo? O Renda+ foi desenvolvido para objetivos futuros e não para necessidades financeiras dos próximos meses.

– Quer construir renda complementar? Pode fazer sentido para aposentadoria, redução futura do ritmo de trabalho ou criação de maior previsibilidade financeira.

– Já possui uma reserva de emergência? Dinheiro que pode ser necessário rapidamente deve priorizar liquidez e estabilidade, portanto possui uma função diferente.

– Consegue manter os aportes sem comprometer o presente? Planejar o futuro não significa desequilibrar o orçamento atual.

Atenção: o Tesouro Renda+ também pode oscilar

Outro cuidado importante é não interpretar “renda fixa” como ausência de variação no preço. Por ser um título de longo prazo, o Tesouro Renda+ está sujeito à marcação a mercado. Se as condições de juros mudarem, seu preço poderá subir ou cair antes do momento previsto para utilização dos recursos.

Quem compra pensando em décadas, mas acompanha diariamente as oscilações como se estivesse fazendo um investimento de curto prazo, pode acabar tomando decisões incompatíveis com o próprio planejamento. Portanto, entender prazo, objetivo e funcionamento do título é tão importante quanto observar sua rentabilidade.

Quanto antes começar, menor pode ser o esforço

Talvez a maior vantagem de pensar em renda futura cedo nem esteja em um produto financeiro específico, mas no tempo disponível para construir patrimônio. Quem começa aos 30 ou 40 anos possui muito mais tempo para realizar aportes e permitir que os rendimentos participem da construção do patrimônio do que alguém que começa a se preocupar com aposentadoria poucos anos antes de precisar daquela renda.

O Tesouro Renda+ é apenas uma das ferramentas que podem fazer parte desse planejamento. A questão mais importante vem antes da escolha do investimento: qual renda você pretende ter no futuro, quando deseja começar a recebê-la e quanto precisa construir para chegar até lá?

Planejar aposentadoria ou independência financeira não deveria começar quando o trabalho já estiver perto do fim. Quanto mais cedo essa conta entrar na vida financeira, maior será a possibilidade de construir o futuro com previsibilidade e sem depender exclusivamente do INSS, da venda de patrimônio ou da continuidade do próprio negócio.

Se quiser se aprofundar no tema, no vídeo abaixo explico de forma detalhada como funciona o Tesouro Renda+, suas características, seus riscos e quando ele pode fazer sentido dentro de uma estratégia de renda futura.

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Meu nome é Marlon Roza, sou seu Amigo de Negócios