Já de imediato deixo claro: não vou passar recomendações de investimentos e também espero que tenha a certeza que dependerá principalmente dos seus aportes e escolhas para isso acontecer.
Se existe um padrão que o investidor atento aprende ao longo do tempo, é que o mercado financeiro raramente se move pelo presente — ele antecipa o futuro. E poucos momentos deixam isso tão evidente quanto os anos eleitorais.
A sensação de incerteza que domina o país nesse período não é apenas política. Ela se traduz diretamente nos preços dos ativos, na volatilidade da bolsa e no comportamento do dólar. Mas o que poucos observam é que esse “caos” costuma obedecer um ciclo — e entender esse ciclo pode ser a diferença entre reagir e se posicionar.
O padrão que se repete: turbulência antes, valorização depois
Ao olhar para eleições anteriores no Brasil, o comportamento do mercado segue uma lógica relativamente consistente.
Em 2002, por exemplo, o mercado reagiu com forte tensão à possibilidade de mudança de governo, com disparada do dólar e aumento do risco país. No entanto, nos anos seguintes, a bolsa entrou em um ciclo relevante de valorização.
Em 2006, ainda em ambiente eleitoral, o Ibovespa teve forte alta, chegando a subir mais de 30% no ano .
Já em 2014, em um cenário de maior incerteza fiscal, o mercado sofreu mais durante o período eleitoral, refletindo dúvidas sobre a condução econômica.
Em 2018, novamente houve volatilidade relevante ao longo do processo eleitoral, mas o mercado passou a precificar rapidamente o novo cenário após a definição do resultado.
E em 2022, vimos um comportamento clássico: momentos de alta e queda ao longo do ano, com o mercado reagindo não apenas ao resultado, mas principalmente às expectativas sobre o futuro governo .
O ponto central é simples, embora pouco explorado:
• anos eleitorais aumentam a volatilidade
• mas, historicamente, abrem espaço para ciclos de valorização depois da definição do cenário
Isso acontece porque a incerteza diminui. E mercado não gosta de incerteza — ele prefere um cenário ruim conhecido do que um cenário indefinido.
Lula x Flávio Bolsonaro: dois caminhos econômicos distintos
O cenário atual reforça ainda mais essa dinâmica.
O cenário eleitoral de 2026 caminha para mais uma disputa polarizada, e isso não é irrelevante para quem investe. Muito pelo contrário: o mercado financeiro já começa a precificar, ainda que de forma imperfeita, os possíveis caminhos da economia a partir de cada projeto de governo.
De um lado, a atual gestão, liderada por Luiz Inácio Lula da Silva, carrega uma linha mais expansionista, com maior presença do Estado e aumento de gastos públicos como forma de estimular a economia — algo que, embora possa gerar crescimento no curto prazo, também levanta preocupações recorrentes em relação ao equilíbrio fiscal e ao avanço da dívida.
Do outro lado, a candidatura de Flávio Bolsonaro se posiciona com uma proposta mais alinhada ao ajuste fiscal, defendendo redução de gastos, corte de impostos e um Estado mais enxuto, com foco em eficiência econômica e responsabilidade nas contas públicas.
Esse contraste faz com que o mercado não esteja apenas observando quem pode vencer — mas principalmente quais serão as consequências econômicas de cada cenário.
Tanto que investidores já estão ajustando suas estratégias com base nesses dois possíveis caminhos .
Esse é o ponto que separa o comportamento amador do comportamento estratégico:
não se trata de escolher um lado, mas de entender como cada cenário impacta os ativos.
E onde entra a Selic nisso tudo?
Com a taxa Selic ainda em patamar elevado, o Brasil vive um momento de juros restritivos — o que naturalmente favorece a renda fixa no curto prazo.
Mas aqui entra um detalhe importante: o mercado começa a se mover antes da queda dos juros acontecer
Se o ciclo de redução da Selic se confirmar após as eleições — algo plausível diante da desaceleração econômica — ativos de risco, como ações e fundos imobiliários, tendem a se beneficiar de forma mais intensa. Ou seja: quando a maioria se sente confortável para migrar, boa parte do movimento já pode ter acontecido.
Como se posicionar em um cenário como esse
Diante desse contexto, algumas decisões se tornam mais estratégicas do que tentar prever o resultado eleitoral:
1. Entenda o ciclo, não o candidato
Mais importante do que acertar quem vence é compreender como o mercado reage antes e depois da eleição.
2. Use a volatilidade a seu favor
Oscilações não são apenas risco — são oportunidade para quem tem visão de médio e longo prazo.
3. Não abandone a renda fixa — mas também não ignore o futuro
A Selic alta remunera bem hoje, mas o próximo ciclo pode favorecer outros ativos. A Ibovespa, por exemplo, está hoje em 197mil pontos, e o dólar em baixa, chegando a R$4,99, tudo isso devido a guerra entre EUA e Irã.
4. Diversifique pensando em cenários
Monte uma carteira que funcione em diferentes possibilidades — não apenas em uma aposta política.
5. Antecipe movimentos, não reaja a eles
O mercado precifica expectativa. Quem espera confirmação costuma chegar atrasado.
Eleições trazem ruído, tensão e instabilidade. Isso é fato.
Mas também criam um ambiente clássico de transição — onde a incerteza abre espaço para oportunidades que só ficam evidentes depois.
O investidor que entende esse ciclo não tenta adivinhar o resultado. Ele observa, se posiciona e respeita o tempo do mercado.
Porque, no fim, não é o resultado da eleição que determina os ganhos —
é a forma como você se preparou antes dele acontecer.
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