Ao comparar investimentos de renda fixa, muitas pessoas encontram debêntures oferecendo taxas superiores às de CDBs e títulos públicos. A conclusão pode parecer óbvia: se a rentabilidade é maior, o investimento deve ser melhor.

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Mas retorno não aparece sozinho. Antes de escolher uma debênture pela taxa anunciada, o investidor precisa compreender quem receberá seu dinheiro, qual é a capacidade de pagamento da empresa e o que poderá acontecer se ela enfrentar dificuldades financeiras.

O que são debêntures?

Quando uma pessoa investe em um CDB, empresta dinheiro para uma instituição financeira. Ao comprar um título do Tesouro Direto, empresta para o Governo Federal. Na debênture, o empréstimo é feito para uma empresa.

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Uma companhia pode emitir debêntures para financiar a construção de uma fábrica, ampliar suas operações, investir em tecnologia, desenvolver projetos ou reorganizar suas dívidas. Em troca dos recursos captados, compromete-se a pagar a remuneração prevista e devolver o capital conforme as condições da emissão.

A B3 define a debênture como um título de dívida que concede ao investidor um direito de crédito contra a empresa emissora. Portanto, quem investe não se torna sócio da companhia: torna-se credor.

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Por que algumas debêntures pagam mais?

A rentabilidade maior costuma estar relacionada ao risco. Diferentemente dos CDBs, as debêntures não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Se a empresa não conseguir cumprir seus compromissos, o investidor poderá enfrentar atrasos e até perdas.

A taxa também é influenciada pela situação financeira da companhia, pelo prazo do título, pelas garantias previstas, pelas condições do mercado e pela facilidade de vender o investimento antes do vencimento.

Duas debêntures podem oferecer remunerações parecidas e apresentar riscos completamente diferentes. Uma companhia consolidada, com geração consistente de caixa e endividamento controlado, não deve ser analisada da mesma maneira que uma empresa menor, altamente endividada e exposta a um setor instável.

Por isso, a pergunta mais importante nem sempre é “quanto paga?”, mas “quem está prometendo pagar?”.

O que são debêntures incentivadas?

As debêntures incentivadas destinam os recursos captados a projetos de infraestrutura considerados prioritários, como energia, saneamento, logística e transportes. Para atrair investidores, seus rendimentos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, conforme a Lei nº 12.431.

A isenção pode tornar a rentabilidade líquida mais atraente, mas não elimina o risco de crédito. Uma debênture incentivada continua dependendo da capacidade financeira da empresa responsável pelos pagamentos.

Cinco perguntas antes de investir:

1. Quem é a empresa emissora? Analise seu histórico, o setor em que atua, sua reputação e a consistência dos resultados.

2. Como está sua saúde financeira? Lucro, geração de caixa, endividamento e capacidade de cumprir compromissos ajudam a revelar se a empresa poderá pagar o que prometeu.

3. Qual é o prazo? Quanto mais distante o vencimento, maior é a incerteza sobre o futuro da companhia e da economia.

4. A remuneração compensa o risco? Uma taxa elevada pode representar uma oportunidade, mas também indicar que o mercado exige um prêmio maior para financiar aquela empresa.

5. Existe liquidez? Nem toda debênture encontra compradores facilmente no mercado secundário. Caso precise vender antecipadamente, o investidor pode não encontrar interessados ou ter de aceitar um preço inferior.

    Rating ajuda, mas não oferece garantia

    Algumas debêntures possuem ratings atribuídos por agências especializadas, que nada mais é do que avaliações importantes para o mercado financeiro. Essas classificações procuram avaliar a capacidade de pagamento da empresa e podem ajudar na comparação entre emissões.

    Entretanto, rating não é uma promessa de pagamento nem substitui a análise. A situação financeira de uma companhia pode se deteriorar, e as classificações também podem ser alteradas ao longo do tempo.

    Se a emissora entrar em recuperação judicial ou falir, a recuperação dos recursos dependerá de sua situação patrimonial, das garantias previstas na escritura da emissão e do processo legal. Como não existe proteção do FGC, o investidor assume diretamente o risco empresarial.

    O que o empresário pode enxergar melhor?

    Quem administra uma empresa sabe que faturamento elevado não é suficiente para medir sua saúde. Lucro, caixa, endividamento, governança e capacidade de execução também importam.

    Ao investir em uma debênture, o empresário deve utilizar essa mesma lógica. Ele não está comprando apenas uma taxa, mas financiando uma organização que precisará gerar resultados futuros para honrar seus compromissos.

    Debêntures podem integrar uma carteira diversificada e oferecer retornos interessantes, mas não são automaticamente melhores do que CDBs ou títulos públicos. São investimentos com características e riscos diferentes.

    O retorno adicional somente faz sentido quando remunera adequadamente o risco assumido. Por isso, antes de procurar a maior taxa, o investidor precisa compreender por que aquela empresa está disposta a pagar mais.

    No vídeo abaixo, explico como funcionam as debêntures, por que elas podem oferecer rentabilidades maiores e quais sinais devem ser analisados antes de emprestar dinheiro para uma empresa.

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    Meu nome é Marlon Roza, sou seu Amigo de Negócios