Criar uma oportunidade de negócio exige perceber o que o cliente ainda não encontra, quais dificuldades enfrenta e pelo que estaria disposto a pagar. Essa percepção pode surgir de uma necessidade pouco atendida, de uma nova forma de organizar a oferta ou de características que o mercado ainda não aprendeu a reconhecer.

continua após a publicidade

Nem sempre é necessário desenvolver um produto novo. Em alguns casos, a oportunidade está em selecionar melhor o que já existe, aproximar fornecedores de compradores e oferecer conhecimento para facilitar uma decisão. Para isso, o empresário precisa entender como sua proposta pode ser útil para um público específico.

Foi sobre essa construção que conversei com Glauco Fürstenberger, sommelier e cofundador da Vinato.br, de Curitiba. A trajetória da empresa reúne escolhas de posicionamento, conhecimento dos produtos e identificação de uma necessidade dos restaurantes.

Reconhecer uma oportunidade exige olhar além do habitual

continua após a publicidade

Uma oportunidade pode surgir quando alguém questiona uma escolha que parecia natural. Por que comprar sempre das mesmas origens? Quais produtos ainda não conhecemos? O que existe no mercado que merece ser apresentado de outra maneira?

Glauco conta que a ideia da Vinato.br começou depois que seu filho Ricardo, também sócio da empresa, voltou da Itália. Ao procurar alternativas aos vinhos importados que encontrava com frequência, experimentou um brasileiro e se surpreendeu. A descoberta levou à pesquisa de produtores e ao desenvolvimento do negócio.

continua após a publicidade

Segundo ele, o contato com vinícolas revelou avanços técnicos, diversidade de regiões e profissionais dedicados a desenvolver produtos com características próprias.

Na minha visão, esse é um exercício importante para qualquer empresário: observar o que o consumidor ainda desconhece. Um produto pode ter qualidades relevantes e continuar fora das escolhas habituais porque falta informação, acesso ou uma apresentação que desperte interesse.

A identidade ajuda a definir onde competir

Reconhecer um diferencial também exige escolher com quais ofertas a empresa pretende ser comparada. Produtos elaborados em escalas distintas podem ter estruturas de custo, disponibilidade e propostas diferentes.

Glauco relata que, durante a construção do negócio, ele e Ricardo perceberam que disputar preço com rótulos de grande produção não correspondia ao caminho que desejavam seguir. A seleção passou a privilegiar pequenas vinícolas, buscando produtores com identidade e características ligadas às suas regiões.

Essa escolha não significa que produzir menos garante qualidade superior. Significa trabalhar com critérios e compreender para qual público aquela proposta faz sentido.

O que considero decisivo é conseguir explicar a diferença de maneira concreta. Origem, métodos de produção e características do produto precisam ajudar o comprador a entender sua escolha. A história ganha força quando corresponde à experiência entregue.

O produto brasileiro precisa ser conhecido para ser escolhido

A preferência pelo importado pode envolver familiaridade com marcas, experiências anteriores e referências culturais. Para ampliar o espaço de um produto nacional, é necessário criar oportunidades de comparação e descoberta.

Glauco defende que os vinhos brasileiros sejam avaliados pelo que oferecem. Em seu relato, destaca a diversidade de estilos e o trabalho dos produtores, questionando a ideia de que a origem estrangeira seria suficiente para indicar uma escolha melhor.

Na seleção da Vinato.br, essa valorização aparece na busca por vinhos brasileiros de qualidade, com procedência e identidade. A empresa reúne rótulos de diferentes regiões, permitindo conhecer estilos e produtores que nem sempre chegam às prateleiras mais habituais. A proposta é apresentar opções adequadas a diferentes pratos, ocasiões e preferências.

A curadoria também se volta aos restaurantes: a Vinato.br combina vinhos de diferentes parceiros para compor cartas coerentes com a proposta de cada estabelecimento. A expressão “carta brasileira” sintetiza esse posicionamento, reunindo a diversidade da produção nacional em uma solução para os restaurantes. O trabalho inclui orientação na escolha dos rótulos e apoio à preparação da equipe, aproximando o conhecimento sobre o produto do momento em que ele será apresentado ao consumidor.

Selecionar bem também resolve uma dificuldade do cliente

Para um restaurante, oferecer variedade envolve mais do que escolher garrafas. É preciso negociar com fornecedores, organizar compras e encontrar produtos compatíveis com o cardápio, o público e as faixas de preço da casa.

Glauco conta que ele e Ricardo identificaram uma dificuldade nessa rotina: trabalhar com diversas vinícolas exige administrar diferentes negociações e condições de fornecimento. Essa percepção ajudou a direcionar a atuação para reunir produtores e facilitar a composição de uma seleção brasileira.

A oportunidade empresarial está também nessa organização. O restaurante procura produtos, mas precisa conseguir comprá-los, apresentá-los e mantê-los disponíveis.

Vejo aí uma lição que se aplica a outros setores: conhecer profundamente um produto pode permitir resolver problemas que vão além de sua venda. A especialização ganha utilidade quando facilita o trabalho e melhora a decisão do cliente.

Quem atende precisa saber apresentar a diferença

Um produto ou serviço pode ter diferenciais importantes e, ainda assim, perder uma venda porque a equipe não consegue explicar como eles beneficiam o cliente. Quando o atendimento se limita a informar características e preços, o comprador pode não encontrar motivos para experimentar algo diferente do que já conhece.

Glauco destaca a importância da formação e do conhecimento técnico para orientar essa escolha. Em sua abordagem, entender as características dos vinhos e a situação de consumo ajuda a recomendar um rótulo adequado, em vez de apenas indicar uma garrafa disponível.

Para mim, transformar identidade em negócio exige essa continuidade entre seleção, comunicação e entrega. O empresário precisa escolher o que deseja valorizar, preparar quem apresenta o produto e observar a resposta de quem compra. Fortalecer a produção nacional passa por construir confiança e oferecer experiências que justifiquem novas escolhas.

Glauco Fürstenberger é sommelier e cofundador da Vinato.br, de Curitiba, que atua com curadoria e comercialização de vinhos brasileiros. Mais informações estão disponíveis em vinatobr.com e Instagram @vinato.br

Quer mais insights sobre o mundo dos negócios e investimentos? Me siga no Instagram @marlon.roza

Meu nome é Marlon Roza, sou seu Amigo de Negócios