Clori de Oliveira trabalha à noite para
ajudar crianças: sopa está salvando vidas.

O trabalho voluntário tem ajudado a diminuir o índice de mortalidade infantil e materna em Curitiba. Há dois anos, os comitês em Defesa da Vida realizam diversas atividades em parceria com as unidades de saúde, através do Programa Mãe Curitibana, para garantir a saúde de mães e bebês. Os cerca de mil voluntários já atenderam perto de 10 mil pessoas. Em 1988 o índice de mortalidade infantil era de 16,6 por mil nascidos vivos e em 2002 baixou para 11,8.

Ontem, a Prefeitura de Curitiba lançou uma premiação para os melhores projetos na área, que serão desenvolvidos em 2003. Clori Maria de Oliveira, de 54 anos, trabalha como agente comunitária. Durante a noite é que arranja tempo para se dedicar ao voluntariado. A sopa que ela e as amigas preparam tem ajudado muitas crianças no bairro Boqueirão, região do Posto de Saúde Visitação. “De sete mortes de crianças, conseguimos baixar para três”, explica. No total, estão sob a responsabilidade do grupo 170 famílias, com trinta gestantes e 65 lactentes.

As verduras e legumes para a sopa ela consegue junto à comunidade e na Ceasa (Central de Abastecimento do Paraná). Toda terça-feira vai pedir as doações e traz os cerca de 150 quilos de alimentos no próprio carro. Duas vezes por semana ela serve as refeições para 600 pessoas. Mas além da sopa, as voluntárias também realizam outros trabalhos, como o incentivo à amamentação e campanha de agasalhos.

Maria da Conceição Schafranski, 57, é outro exemplo de dedicação. Ela trabalha com a Pastoral da Criança e da terceira Idade. É aos sábados que visita as famílias, sessenta crianças estão sob a responsabilidade do seu grupo. “Assim que verificamos que elas estão abaixo do peso, encaminhamos para os postos de saúde e fornecemos a farinha multimistura, que ajuda no crescimento combate a desnutrição”, explica. Na regional onde trabalha, no bairro do Xaxim (zona sul), há seis anos não é registrada nenhuma morte.

Segundo o prefeito de Curitiba, o prêmio lançado ontem é uma forma de reconhecer o trabalho voluntário e estimular a adesão de mais gente. Durante o evento, que contou com a participação dos voluntários houve trocas de experiências. Em Curitiba os comitês estão atuando em parceria com 72% dos postos. Mas o prêmio também vai ser dado a hospitais e unidades de saúde que trabalhem para humanizar cada vez mais o atendimentos às gestantes.

Mortalidade materna

Além da queda na mortalidade infantil na cidade, houve queda na mortalidade materna. Em 1999 ocorreram 21 óbitos, e em 2002 baixou para seis. Além do trabalho das voluntárias, no projeto Mãe Curitibana as gestantes têm acesso ao planejamento familiar, pré-natal, parto, puerpério e assistência à saúde da criança.

Também houve redução nos casos de transmissão vertical (Da mãe para o bebê) do vírus da aids. Até o fim do ano passado, foram registrados 511 gestantes com a presença do vírus. Sem tratamento, 30% delas transmitiriam a doença para as crianças, o equivalente a 153 crianças. No entanto apenas dezesseis nasceram contaminadas, o que resulta em 137 bebês sem o vírus.