A falta de reajustes dos valores repassados pelos planos de saúde aos Laboratórios de Análises Clínicas tem sido um problema enfrentado há mais de dez anos pelo setor. “Estamos voltando na escuridão da história”, considera o farmacêutico Agostinho Checchia Noronha, Membro da Comissão de Análises Clínicas do Conselho Regional de Farmácia do Paraná.

Segundo o farmacêutico, os baixos valores pagos pelos planos de saúde aos Laboratórios Clínicos prejudicam, mesmo indiretamente, a própria qualidade do serviço, uma vez que os Laboratórios não têm recursos para investir em tecnologia e acabam por trabalhar com métodos e equipamentos muitas vezes obsoletos. “O mais grave é que isso fere um direito do paciente, que ao adquirir o plano de saúde acredita estar tendo acesso ao melhor serviço, o que infelizmente não está acontecendo. Embora façamos o melhor possível, não temos recursos financeiros para melhorar nossa infra-estrutura”, afirma.

O Paraná tem hoje 802 Laboratórios de Análises Clínicas. Tanto quanto o tratamento médico, os exames laboratoriais são serviços de primeira necessidade na maioria dos casos. Seu papel é essencial nos diagnósticos, o que torna imprescindível um serviço adequado e de qualidade garantida.

Noronha informa que em boa parte dos procedimentos, o valor repassado pelo plano de saúde não paga sequer o material utilizado, “sem falar nos custos como luz, água, funcionários e principalmente a mão-de-obra do farmacêutico”, completa. Para ele, a situação dos Laboratórios está quase insustentável. “Nós temos que manter uma empresa. Enquanto a dificuldade do médico é receber o valor justo pelo seu tempo de trabalho, a nossa é o risco da empresa como um todo”, justifica o farmacêutico.

No próximo dia 03 de junho, farmacêuticos que atuam em Laboratórios de Análises Clínicas privados e filantrópicos de todo o Paraná, estarão reunidos em Curitiba (Center Art ? Rua XV de Novembro, 2450, Alto da XV) para debater diversos temas relacionados ao setor, e entre eles a questão dos planos de saúde.