Estima-se que a quantidade de um medicamento excretado no leite não ultrapasse a 2% da dose administrada à lactante (mãe). Embora estudos indiquem que quantidades moderadas de muitos medicamentos não apresentem riscos para o lactente (criança), é fundamental a orientação médica ou farmacêutica antes que qualquer substância seja ingerida por mulheres que estejam amamentando, para evitar riscos à saúde o bebê.

“Algumas substâncias são preocupantes por suas reações adversas conhecidas ou suspeitas, como drogas imunossupressoras, citotóxicas, álcool, anfetaminas, anticancerígenos e substâncias radioativas”, explica a farmacêutica Cecília Reche Garcia, que há quatro anos especializou-se na área de atenção farmacêutica em Aleitamento Materno.

“No caso de necessidade de usar um medicamento contra-indicado na amamentação, e a interrupção temporária da amamentação for recomendada, a mãe pode ir retirando o leite, com algumas semanas de antecedência, e estocar em congelador para alimentar o bebê no período de uso do medicamento”, orienta a farmacêutica. Se isso não for possível, é indispensável que a mãe procure o médico pediatra, que orientará sobre os alimentos que o bebê pode receber. “No período de interrupção temporária da amamentação, a mãe deve fazer ordenhas periódicas, assim o leite continua sendo produzido”, enfatiza.

Cecília é autoridade no assunto. No município de Jaguariaíva (240Km de Curitiba), onde reside, auxilia em programas de capacitação, elaboração de apostilas e palestras sobre a relação entre Medicamentos e Amamentação. “Na assistência farmacêutica em Aleitamento Materno se usa muito a observação. Ao prestarmos atenção no que o paciente fala, percebemos que ele precisa de orientação sobre o assunto, porque em amamentação não é muito comum uma mãe procurar auxílio do farmacêutico”, conta. Segundo Cecília, o ambiente da farmácia tem se mostrado, de um tempo para cá, um excelente lugar para realizar a orientação, de modo informal, “sempre lembrando que amamentar é um direito da mãe e nunca um dever”, pondera.

De acordo com a farmacêutica, é freqüente mães que precisam fazer uso de medicamentos terem receio de que sua utilização possa fazer mal ao bebê. “Por exemplo: o caso da mastite, que necessita de tratamento com uso de antibiótico e antiinflamatórios. Em situações como esta, pesquisamos no material do Ministério da Saúde se o medicamento tem uso compatível com a amamentação, então mostramos à família a segurança do medicamento, e orientamos a mãe se for o caso de continuar a usá-lo”, finaliza.