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Devido ao alto consumo de carne com gordura, a Região Sul concentra o
maior índice de pessoas com
colesterol acima de 200 (24,3%).

Um em cada cinco brasileiros tem colesterol alto. A conclusão é do Projeto Corações do Brasil, estudo da Fundação do Coração, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC/Funcor), em parceira com o Instituto Vox Populi e o laboratório AstraZeneca. A pesquisa detectou também que o índice é maior entre os têm mais de 54 anos: um em cada três.

Essas informações fazem parte da segunda coleta de dados de um trabalho que começou em fevereiro de 2004. O estudo envolveu 800 profissionais de saúde, que entrevistaram e mediram o colesterol pela coleta de sangue de 1.239 pessoas de 74 cidades, com idade de 15 a 60 anos.

"Até o fim deste ano, vamos ter um mapa completo do colesterol do brasileiro com fatores de risco e a influência do meio na doença", avalia Raimundo Marques do Nascimento Neto, diretor da SBC. "Queremos ajudar na criação de políticas públicas de saúde."

Genética – A Região Sul foi a que concentrou o maior índice de pessoas com colesterol acima de 200 (24,3%). "Acreditamos na influência do alto consumo de carne com gordura e da genética. Lá há uma das maiores colônias européias", diz Nascimento.

A alimentação e a genética são os dois fatores que mais influenciam os índices de colesterol. "A maioria (75%) deles é genética. O resto sofre influência da alimentação e do meio onde a pessoa vive", explica o cardiologista Marcos Bolivar Malaquias da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. "Os alimentos de origem animal são os principais vilões."

O estudo da SBC divulgou também que, entre os entrevistados 61% nunca tinham sido submetidos a exames de colesterol até então e 78% não sabiam o que era a doença. Pesquisa recém-concluída pelo laboratório Merck Sharp & Dohme para avaliar o nível de conhecimento do brasileiro sobre a doença registrou não só dados parecidos com os da SBC/Funcor como revelou que os brasileiros desconhecem mais o assunto em relação aos habitantes de outros países da América Latina.

Durante os últimos quatro meses, cem adultos de nove países – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru e Venezuela – foram entrevistados. A conclusão é de que na América Latina 58% não conhecem suas taxas de colesterol. No Brasil, o índice é de 60%.

O colesterol é um tipo de gordura produzida pelo fígado ou vinda da alimentação. Nem sempre o colesterol é ruim, já que ele participa na produção de hormônios sexuais, de enzimas digestivas e da membrana que envolve as células. Em excesso, no entanto, pode produzir uma placa formada de gordura, cálcio e células que se acumula na parede das artérias e das veias. As conseqüências são doenças de origem circulatória, como o entupimento das artérias, derrame cerebral e enfarte.

Há dois tipos de colesterol. O bom (HDL), quando a proporção de proteínas no sangue é maior do que a de gordura. O ruim (LDL) quando a proporção é inversa. A proteína serve para transportar a gordura até o fígado, onde ela é metabolizada.