Trauma infantil apresenta números assustadores no Brasil

No Brasil, cerca de 6 mil crianças morrem vítimas de acidentes, 140 mil são hospitalizadas. Entre 1 e 14 anos, os acidentes representam a principal causa de morte em nosso País. Esses são alguns dos números do estudo coordenado pela ONG Criança Segura, com o apoio da Johnson?s, que contabiliza números nacionais entre os anos de 2000 e 2005, tendo como fonte os dados do IBGE e do Ministério da Saúde. Segundo Luciana O?Reilly, coordenadora nacional da ONG, a pesquisa alerta para que, apesar de previsíveis ou passíveis de prevenção, a criança está exposta a diversos e diferentes riscos em sua fase de desenvolvimento.

Estes ?acidentes? não ocorrem por acaso ou são produtos da fatalidade, pois existe, sempre, um fator de risco que poderia tê-lo modificado. Especialistas atestam que cerca de 80% dos casos de acidente com crianças poderia ser evitado. A pediatra Eliane Mara Cesário Pereira Maluf reconhece que não é mais possível a sociedade continuar tolerando e assistindo passivamente a disseminação dessa verdadeira epidemia.

A especialista observa que a definição da palavra trauma, encontrada no dicionário, traz como sinônimo traumatismo ou pancada, contudo pode ter um significado muito mais amplo, assim como: um conjunto das perturbações causadas por um ferimento. Conseqüentemente, o trauma pode identificar de uma simples lesão ocorrida em ambientes domésticos ou um acidente de maiores proporções decorrido da violência urbana. ?Aí, entram as agressões inter-pessoais, os acidentes de trânsito ou no trabalho?, explica.

Desenvolvimento infantil

Para a coordenadora regional da ONG Criança Segura em Curitiba, Alessandra Françóia, pesquisas envolvendo acidentes com crianças são fundamentais para o apontamento das causas reais das ocorrências. Segundo a dirigente, muitas vezes, dados registrados por hospitais e outras entidades não são específicos como deveriam e registram as causas de acidentes de forma vaga. ?Para trabalharmos com prevenção, é importante que, cada vez mais, os registros detalhem os tipos de acidentes, como as variadas causas, quedas, queimaduras, acidentes de trânsito, afogamentos, entre outras?, explica.

A neuropediatra Lúcia Helena Coutinho dos Santos diz que a criança, pela sua falta de noção do perigo, curiosidade ou controle motor em desenvolvimento, está sujeita freqüentemente ao risco de sofrer acidentes. Ela esclarece que essas características predominam nos acidentes conforme o desenvolvimento infantil (ver quadro). A médica sugere que a avaliação epidemiológica dos traumas seja feito em cada cidade do País. ?Assim poderemos definir maneiras de prevenção efetiva, atendendo as particularidades e os hábitos de cada região?, defende.

O crescente número de casos mostra a desinformação dos pais sobre os riscos a que uma criança está sujeita dentro e fora de casa e, também, que os atos de violência podem ocorrer em qualquer idade. Estima-se que pelo menos 90% dessas lesões podem ser prevenidas com ações educativas, modificações no meio ambiente, modificações de engenharia e criação ou cumprimento de legislação e regulamentação específicas.

Os riscos em cada idade

As características que favorecem a ocorrência de acidentes em cada fase da vida infantil.

1 a 6 meses

Fragilidade

O bebê começa a rolar, por isso não deve ser deixado sozinho em lugar alto. Berços, camas e sofás devem contar com grades de proteção.

7 a 12 meses

Curiosidade

A criança começa a ?querer? ficar em pé, existindo a possibilidade do deslocamento do corpo no espaço. A maior preocupação é protegê-la contra as quedas.

1 a 2 anos

Aventura

A idade em que a criança explora espaços e objetos pelo rastejamento. Para sua segurança devemos manter grades nas janelas, portões no topo das escadas e telas bem fixadas.

2 a 3 anos

Independência

Elas ganham maior capacidade motora. Sobem nos móveis e começam a ter maior controle pessoal e a se deslocar com mais desenvoltura, sem noção do perigo. Os pais devem lhes ensinar noções de segurança, mostrando os perigos da rua.

3 a 5 anos

Experiência

Nesta fase a criança começa a explorar a vizinhança e a andar fora de casa. Os pais devem supervisionar o local em que elas brincam, removendo tudo que represente perigo. É uma boa idade para ensinar as regras de segurança e a maneira segura de segurar os utensílios.

7 anos ou +

Liberdade

A criança ainda tem alguma dificuldade sobre noções de distância e existe uma tendência à distração e ao comportamento imprevisível. Passam boa parte do tempo em brincadeiras ao ar livre, permanecendo, conseqüentemente, mais tempo expostas a um possível trauma.

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