Cerca de 70% das pessoas com transtorno bipolar são mal diagnosticadas. Além disso, há doentes que sofrem dos seus sintomas durante cerca de 10 anos sem nunca terem o seu distúrbio corretamente diagnosticado. Para os especialistas, esta constatação pode ter variadas razões: porque muitas pessoas recusam procurar ajuda, deixando agravar os sintomas ou porque muitos relatam um episódio único da doença sem considerar alterações de humor prévias. Diante desse contexto, os doentes vêem agravados os seus sintomas, já que não se submetem a tratamentos adequados.

Segundo o psiquiatra Dagoberto Hungria Requião, diretor do Hospital Nossa Senhora da Luz, o transtorno bipolar é considerado uma perturbação afetiva. ?A pessoa alterna momentos depressivos com episódios de euforia?, explica. Com essa alternância de humores, conforme o médico, muitas vezes o diagnóstico correto pode ser retardado até o surgimento de algum episódio específico. Devido à sua imprevisível natureza, a perturbação bipolar tem um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes e de seus familiares, além de se constituir em uma das mais elevadas taxas de perturbações psiquiátricas.

Qualidade de vida

Os doentes com perturbação bipolar aparentam falta de estabilidade na transmissão dos impulsos nervosos ao cérebro, tornando-se, por isso, mais vulneráveis ao estresse emocional e psíquico. Os estudos sobre a doença parecem se inclinar também para a possibilidade de existir um componente genético na ocorrência do distúrbio, fato comprovado por um estudo estimando que 13% das pessoas com perturbação mental podem se tornar bipolares. As causas exatas da doença ainda são desconhecidas. Segundo Requião, na maioria dos casos diagnosticados, o paciente apresenta algum familiar com transtorno bipolar (daí a influência genética). Existem, ainda, fatores que influenciam ou que precipitam seu surgimento, como traumas, incidentes ou acontecimentos fortes, como mudanças ou troca de emprego, fim de casamento ou morte de pessoa querida.

Algumas pessoas têm dificuldade de aceitar que têm uma doença, constatação que Dagoberto Requião enfatiza como o primeiro e decisivo passo para uma boa evolução do tratamento. Após esse prognóstico, o passo seguinte é encontrar a medicação mais adequada, além da introdução de novos hábitos no estilo de vida. Os objetivos do tratamento incluem não só a redução dos sintomas, mas também melhorar o funcionamento pessoal e social, desenvolver e fortalecer habilidades para enfrentar a doença, promover comportamentos que tornem a vida do paciente melhor.

Sintomas que vão da depressão…

– Prolongada tristeza ou inexplicáveis momentos de choro.

– Irritabilidade, preocupação, ansiedade.

– Pessimismo, indiferença.

– Perda de energia, apatia persistente.

– Sentimento de culpa.

– Incapacidade de concentração, indecisão.

– Falta de prazer nas atividades diárias.

– Inexplicáveis dores e sofrimento sem explicação.

– Pensamento freqüente de suicídio.

… à euforia

– Otimismo exacerbado, auto-confiança.

– Não sente falta do sono.

– Exagerada valorização dos fatos.

– Excessiva irritação, comportamento agressivo.

– Aumento das capacidades físicas e mentais.

– Discurso rápido, impulsividade.

– Comportamentos irrefletidos.

– Nos casos mais graves, alucinações.