Desde julho um protocolo cirúrgico para melhorar a qualidade de vida dos pacientes que sofrem com a doença de Chagas está sendo praticado em Salvador. O procedimento é baseado em estudos feitos há cerca de três anos por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de Salvador, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A principal conquista dos cientistas foi descobrir que células-tronco adultas, retiradas do próprio paciente, podem ser usadas como terapia para pacientes chagásicos em estado grave. A doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, ataca principalmente o coração dos seres humanos. O sistema de defesa não consegue identificar com precisão as células atingidas pelo microrganismo e acaba destruindo também as partes sadias do órgão. Sabendo disso, os imunologistas da Fiocruz, Ricardo Ribeiro dos Santos e Milena Botelho Soares, e o fisiologista Antonio Carlos Campos de Carvalho, da UFRJ, resolveram agir diretamente nesse processo. Na primeira parte da cirurgia, é aspirado o líquido da medula óssea do paciente. As células-tronco são isoladas e depois injetadas nas artérias do coração. Os resultados, até agora, mostram que o novo material celular ajuda o coração a se fortalecer e, portanto, se defender melhor do Trypanosoma. Os responsáveis pelo estudo acreditam que a sobrevida pode chegar a dois anos.