O câncer de mama é cada vez mais freqüente nas mulheres ocidentais, principalmente entre as que já entraram no climatério (entre os 45 e os 65 anos, aproximadamente). A incidência desse carcinoma nessa população é de 3% aos 55 anos, podendo atingir os 9% aos 80 anos de idade. A mamografia e outras formas de detecção da doença são, portanto, imprescindíveis.

A grande preocupação atual é a de que as mulheres adeptas da terapia de reposição hormonal tenham mais chances de desenvolver o câncer de mama. Estudos recentes comprovaram que o estrogênio altera quimicamente as células da mama, provocando inúmeras mutações no gene do epitélio mamário, independente da predisposição genética.

Isso foi concluído pelo estudo do Women’s Health Initiative (WHI) com 16.608 mulheres na pós-menopausa tratadas com estrogênio e progesterona combinados, de forma contínua. O estudo, desenvolvido entre 1993 e 1998, envolveu mulheres com idades variando de 50 a 79 anos. Um dos resultados da pesquisa foi a comprovação de um aumento de 26% no risco de câncer de mama em um período médio de 5,6 anos de tratamento com TRH. o estudo foi suspenso antes do prazo, que seria de oito anos.

Embora não tenha sido objetivo do estudo, evidências recentes enfatizam que a TRH combinada, quando utilizada de forma descontínua, teria igual efeito que a utilização de forma contínua no aumento do risco para câncer de mama. No estudo WHI, os pesquisadores relataram o aparecimento de 245 carcinomas invasivos no grupo tratado, contra 185 no outro grupo. Mas houve um aumento significante apenas no 3o ano de uso da hormonioterapia.

O esquema combinado (estrógenos mais progesterona) acarreta aumento na densidade mamográfica em até 26% logo após o início da terapêutica, diminuindo a sensibilidade na região. Provoca ainda maiores alterações mamográficas nos exames, acarretando ansiedade da paciente e necessidade de elucidação por métodos invasivos, como punção, com conseqüente aumento nos custos médicos e abandono da TH pela paciente. Este é um dos principais aspectos enfatizados no estudo, ou seja, além do aumento no risco de câncer de mama, uma dificuldade maior para detecção precoce da doença.

Outra conclusão dos estudos sobre o tema é que a administração de doses baixas de hormônios, por um período de aproximadamente cinco anos, evitaria o risco de contra-indicações, como o desenvolvimento do câncer de mama. Mas é bom lembrar que a TRH não é indicada no caso de pacientes que já tiveram câncer de endométrio ou de mama, ou que desenvolveram no passado complicações tromboembólicas.