Perceber se uma criança recém-nascida ou com menos de dois anos de idade tem algum problema cardíaco não é tarefa fácil para as mamães. Mas, felizmente, existem alguns sinais que podem levar à suspeita de alguma cardiopatia infantil.

Segundo a especialista em cardiologia infantil, Dra. Deipara Monteiro Abellan, coordenadora médica da Pediatria do Hospital e Maternidade São Camilo-Santana e médica assistente do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (HC), entre estes sinais, os mais comuns são: cansaço durante as mamadas fazendo com que o bebê faça pausas durante a amamentação; suor excessivo; ausência de ganho de peso e altura apesar de mamar suficientemente e irritabilidade excessiva. De acordo com a Dra. Deipara, a criança pode ainda apresentar pele azulada ou arroxeada e sopro cardíaco (alteração do sons do coração). “Estes sinais podem ser percebidos pelo pediatra durante uma consulta de rotina”, afirma a Dra. Deipara, facilitando o diagnóstico das doenças cardíacas mais comuns na infância. Estas doenças podem determinar insuficiência cardíaca ou arritmia (alteração do ritmo cardíaco com aumento ou redução dos batimentos).

As cardiopatias na infância, segundo a Dra. Deipara, podem se manifestar em épocas diferentes: durante a gestação, no período neonatal, ou seja, logo após o nascimento ou primeiros dias de vida, nos bebês com meses ou primeiros dois anos de vida e em crianças maiores, já na fase pré-escolar ou escolar. “A criança pode nascer saudável, sem apresentar qualquer alteração na função cardíaca e, após algum tempo, apresentar algum distúrbio”, diz a médica.

A dica da médica é ficar alerta a um destes sinais e, caso haja suspeita da cardiopatia, a criança deve ser avaliada por um cardiologista pediatra. O tratamento pode ser feito com medicamentos ou, caso necessário, por meio de correção cirúrgica.. “Hoje em dia há grupos, especializados em cardiologia infantil, com recursos humanos e tecnológicos capazes de realizar o acompanhamento da criança portadora de uma cardiopatia, beneficiando muito sua qualidade de vida”, diz a médica.

Outro alerta da especialista é sobre o mito da doença cardíaca na infância. “Os pais devem saber que a maior parte das cardiopatias na infância, se devidamente diagnosticadas e conduzidas, podem ser tratadas. A criança, desta maneira, pode recuperar sua expectativa de desenvolvimento e crescimento normais”.