A Secretaria Municipal da Saúde intensificará, nesta semana, ações para o diagnóstico precoce de hanseníase. O trabalho, que será feito pelas equipes das unidades de saúde, faz parte da reciclagem, feita nos dois últimos meses, de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários da rede municipal de saúde. Hoje a doença tem tratamento e cura.
Além da capacitação, a campanha, de 6 a 10 de novembro, vai alertar a população sobre os sintomas da doença. Foram fixados 3 mil cartazes em ônibus e unidades de saúde, e 50 mil folhetos serão distribuídos ao longo da campanha. Além disso, serão exibidos vídeos informativos nas salas de espera das unidades.
O tratamento é gratuito e os medicamentos são distribuídos pelos serviços municipais de saúde.
A maior incidência da doença acontece nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A taxa de incidência no Paraná é média e, em Curitiba, baixa, quase controlada. Em 2005 foram registrados 59 casos na cidade. "A diminuição dos casos da doença faz com que os médicos e a população não lembrem da hanseníase. Por isso, é importante reciclar os profissionais da área e manter a população informada", afirma a diretora do Centro de Epidemiologia, da Secretaria Municipal da Saúde, Karin Luhm.
A hanseníase é uma doença decorrente do bacilo de Hansen e se caracteriza pela perda de sensibilidade principalmente nas extremidades do corpo como orelhas e dedos. Estes locais são os preferidos do bacilo. 90% da população adulta são resistentes ao bacilo. Somente 10% são suscetíveis à doença. O não tratamento provoca seqüelas irreversíveis à pele, nervos, olhos, mãos, pés e orelhas. Também podem ocorrer casos de lesão ocular que leva à cegueira.Sintomas – São foco de atenção pessoas com manchas na pele, brancas ou avermelhadas, que não doam e não cocem. Neste caso, o primeiro passo é fazer o teste de sensibilidade térmica: são encostados em vários pontos da pele dois tubos de ensaio – um com água em temperatura ambiente e outro com água em torno de 45ºC. O outro teste é o de sensibilidade dolorosa, no qual também vários pontos da pele são tocados com as duas extremidades de uma agulha de costura.
Os casos suspeitos são encaminhados para investigação na Fundação Pró-Hansen, parceira da Secretaria Municipal da Saúde neste programa. O médico avaliará o espessamento nervoso (tamanho dos tendões) e a perda da força muscular. Os principais nervos atingidos pelo bacilo são o ulnar (braço), fibular (panturrilha) e tibial posterior (calcanhar e pé).
Karin Luhm destaca que após a semana de intensificação, as ações serão incorporadas à rotina das unidades de saúde. "Nossos profissionais estão capacitados para identificar e tratar a doença. É importante ainda que o paciente se sinta acolhido e não discriminado, como ocorria há alguns anos", diz.Tratamento – O termo Hanseníase tem 30 anos. Antes a denominação era lepra. A doença tem um período longo de incubação, de dois a cinco anos. Mas duas semanas após o início do tratamento, 90% dos bacilos morrem e não há mais risco de transmissão da doença. Pessoas contaminadas e não tratadas podem transmitir a doença através da respiração, tosse e espirro.
Há dois tipos de tratamentos. Para até cinco lesões (Paucibacilar), o indicado é a combinação de duas drogas – Rifampicina e Dopsona – em doses supervisionadas (devem ser tomadas na presença da equipe de saúde) e auto-administradas.
Já o paciente com mais de cinco lesões (Multibacilar) faz o tratamento por 12 meses e receberá uma cartela com a combinação de três medicamentos -Rifampimicina, Dopsona e Clofozimina – também em doses supervisionadas e auto-administradas.
A avaliação é feita também nos membros da família. Quando não é constatada a presença do bacilo entre os familiares, eles recebem a vacina BCG, para estimular a imunidade.


