Apesar de o hábito do beijo na boca ser encarado por muitas pessoas como algo inofensivo, a boca é uma porta de contágio para infecções e doenças, que incluem desde a transmissão de bactérias envolvidas na cárie às transmitidas por vírus dentre eles, os do herpes, do papilomavírus humano (HPV) e o principal: a mononucleose infecciosa, popularmente chamada de “doença do beijo”, já que sua transmissão acontece principalmente pela saliva, a partir de um contato mais íntimo.

O risco aumenta na proporção em que existe a troca frequente de parceiros no beijo, atitude hoje comum entre as pessoas de todas as idades, embora assumida pelas mais jovens, que optam por relacionar-se ou “ficar” com vários parceiros.

Com eles, a preocupação aumenta na medida em que se tornou habitual à valorização daqueles que consegue somar o maior número de beijos com parceiros distintos em uma única festa ou balada.

A preocupação aumenta pela desinformação dos jovens, agravada pelo sucesso de hits que incentivam a “beijar na boca e ser feliz”, cantado por Claudia Leitte, e “comigo é na base do beijo”, de Ivete Sangalo, ou a disputar na contagem a troca de beijos, como sugerido pela cantora Gil (“já beijei um, já beijei dois, já beijei três; hoje eu já beijei vou beijar mais uma vez”). Especialistas aproveitam para informar aos pacientes e, em especial, à garotada sobre os perigos dos beijos trocados indiscriminadamente e o risco de contágios, inclusive de doenças que muita gente acredita ser transmitidas somente pelo sexo.

Reservatório de doenças

“A cavidade oral é considerada, por muitos autores, como reservatório e fonte de infecção de vírus e bactérias”, explica o especialista da área de estomatologia, Paulo de Camargo Moraes.

No caso da mononucleose infecciosa – causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), o infectologista Alceu Pacheco Júnior explica que, mais de 90% da população adulta tem anticorpos que combatem o vírus.

Assim, se o sistema imunológico estiver em perfeitas condições, a doença não se desenvolve. A “doença do beijo” tem maior prevalência entre jovens com idade entre 15 e 25 anos, de ambos os sexos e é transmitida basicamente pelo beijo e que outras formas de contágio, apesar de raras, são a transfusão de sangue e o contato sexual.

O infectologista diz que as pessoas devem ficar atentas, pois os sintomas da doença são muito parecidos com os de outras infecções virais e podem surgir até 45 dias após o contato com a saliva infectada.

“Em algumas pessoas a doença pode não apresentar nenhum sintoma, em outras, pode ocorrer febre alta, dor para engolir, tosse, dores articulares, ínguas e aumento do fígado e do baço”, reconhece.

Contaminação contínua

Contraída por meio do contato oral e transmitida pela saliva, a “doença do beijo” nem sempre é diagnosticada porque os seus sintomas são muito semelhantes aos de uma forte gripe: febre persistente de 2 a 14 dias, tosse, cansaço, falta de apetite, calafrios, desconforto abdominal e vômitos.

Só que, ao contrário da gripe, causa lesões, como as provocadas pelo herpes, além de petéquias, que são pequenos pontos causados por uma pequena hemorragia de no palato mole (céu da boca) e faringe.

Como o quadro da mononucleose tem regressão espontânea e não deixa sequelas, a doença pode passar despercebida para a maioria das pessoas. Além disso, a confirmação do diagnóstico de “doença do beijo” é possível apenas por meio de exames laboratoriais.

“Em geral, quem desenvolve mononucleose não se recorda de ter tido contato com alguém doente e a própria pessoa que transmitiu o vírus sequer imagina que ainda possa continuar contaminando outros parceiros”, informa o cirurgião-dentista Paulo Moraes.

Não existem medicamentos específicos para se combater a doença. O médico auxilia no alívio dos sintomas receitando antitérmicos, analgésicos e antiinflamatórios e procu,ra evitar complicações até que o paciente se cure.

A prevenção também é difícil, pois as vacinas para combater a doença ainda estão em desenvolvimento. Assim, a forma mais eficiente de prevenção dessas doenças é evitar a multiplicidade de parceiros e restringir o beijo na boca a um só parceiro.

Outras conseqüências do rodízio de beijos

Herpes – A principal característica são as feridinhas ao redor dos lábios. Não tem cura. O vírus fica no organismo de todos que tiverem contato, mas nem todos desenvolvem os sintomas.

Sífilis – Causada por bactéria, é considerada uma doença sexualmente transmissível. Contudo, em sua fase secundária, ela é altamente contagiosa.

Cárie – A bactéria Streptococcus mutans pode passar de boca em boca, pode encontrar um ambiente propício e prejudicar a “saúde” dos dentes.

Viroses – Gripes, resfriados e até mesmo algumas infecções intestinais também podem ser passados pela saliva.

Alguns sinais da doença

* Dor de garganta
* Fadiga
* Inchaço dos gânglios
* Tosse
* Irritação na pele
* Perda de apetite
* Inflamação no fígado
* Hipertrofia do baço