As razões sociais são muitas e variadas: a busca pela estabilidade profissional, a espera por um relacionamento estável, o desejo de atingir segurança financeira antes de ter um filho, entre outras.

Todos esses fatores e ambições provocaram o adiamento da maternidade.

Isso acontece em todas as partes do mundo. Com isso, os casais se deparam, hoje, muito mais frequentemente com problemas de fertilidade.

É esta demanda social crescente que vem consolidando a Medicina Reprodutiva como um dos campos mais relevantes da atuação médica nos últimos anos. Os estudos revelam que, após um ano de tentativas, entre 10% e 20% dos casais não conseguem engravidar. Essa taxa chega a 33% aos 40 anos, aumentado ainda mais após essa faixa etária.

Ao contrário do que se imagina, nem sempre a dificuldade de engravidar é do sexo feminino. “Em 40% dos casos, o problema de fertilidade é do homem; outros 40%, da mulher; para 10%, os empecilhos são de ambos; e nos 10% restantes, as causas não são identificadas”, reconhece o médico Joji Ueno, especialista em reprodução assistida.

Centro de excelência

De acordo com o médico, que é coordenador do Curso Teórico-Prático de Reprodução Assistida de Longa Duração, promovido, pelo Instituto de Ensino e Pesquisa em Medicina Reprodutiva de São Paulo, diante desse cenário é preciso formar e habilitar médicos na área de Medicina Reprodutiva, oferecendo embasamento teórico, prático e metodologia científica relevante para o desempenho amplo e profissional na especialidade.

Mesmo sem grandes descobertas ou saltos tecnológicos nos últimos anos -antes da vitrificação de óvulos, a última novidade havia sido a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozóides), no longínquo ano de 1992 -, cada vez mais casais buscam a medicina reprodutiva no Brasil.

Já existem pelo menos 120 clínicas especializadas no país, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que monitora as inspeções feitas nos laboratórios.

O crescimento do mercado aponta para a realização, neste ano, de 20 mil ciclos de fertilização, como são chamadas as tentativas de gravidez, contra 12 mil em 2004, por exemplo.

Nesse contexto é importante destacar que o Brasil é um dos centros de excelência em reprodução humana assistida do mundo. As estatísticas apontam em torno de 3,5 milhões de crianças saudáveis nascidas pelos métodos de contracepção assistida.

“Resultados idênticos aos dos melhores centros do mundo”, afirma Ueno. Assim, o Brasil se tornou o mais importante centro de fertilização da América Latina. Por questões de custos mais acessíveis, muitos casais vêm do exterior fazer o tratamento de infertilidade em nosso País.

“Falha” no espermatozóide

Evidências clínicas sobre a fragmentação do DNA do espermatozóide e as suas consequências no insucesso de uma gravidez por reprodução assistida, voltam a dominar as discussões dos principais congressos da especialidade pelo mundo.

É que, a partir de agora, o que era observado na rotina dos consultórios, está comprovado por vários trabalhos internacionais.

“Isso reforça a ideia de que o homem contribui de forma importante para o abortamento embrionário”, garante médico argentino, especialista em Reprodução Assistida, Carlos Carizza, que esteve em Curitiba, onde proferiu palestra sobre o tema “Fragmentação do DNA de espermatozóides”.

Estudos recentes realizados com homens em tratamento da infertilidade demonstram que, entre aqueles com taxas alteradas de fragmentação do DNA comprovadas por exames, as chances de gravidez eram inferiores a 1%.

De acordo com Carizza, os mesmos estudos evidenciaram que, mesmo homens com espermograma habitual normal podem apresentar taxa de fragmentação espermático aumentada, o que justificaria predisposição para a infertilidade.

Trat,amento possível

O especialista argentino diz que o chamado relógio biológico do homem é um dos fatores que compromete a taxa de fertilização ou a qualidade do embrião, resultando em maior número de abortos espontâneos ou de defeitos congênitos importantes – situações que podem ocorrer em curto ou em longo prazo.

Situações ambientais, provocadas pelo calor excessivo, também contribuem para a queda da qualidade embrionária. O uso de cuecas apertadas, a permanência por muito tempo sentado, o uso prolongado do laptop sobre o colo, a exposição a agrotóxicos, tratamentos de quimioterapia e radioterapia, estão entre as principais causas que podem levar a infertilidade, citada pelos especialistas.

O professor Lidio Jair Ribas Centa, diretor clínico da Androlab, adverte que, o casal com história de mais de dois abortamentos seguidos ou de tentativas frustradas de gravidez, deve também incluir na rotina do tratamento o exame de fragmentação espermático, além do espermograma habitual.

O exame é realizado a partir da coleta do espermograma do paciente. Posteriormente, a amostra é submetida a tratamento químico para ser analisada por equipamento que mede o nível e alteração do material genético do espermatozóide.

“Para todos os casos nos quais o homem apresenta fatores de risco que levam ao abortamento embrionário, existem formas de tratamento de reversão do problema”, garante o médico.

A culpa é de quem?

Aqueles e aquelas que estão preocupadas com a falta de fertilidade, precisam saber que não estão sozinhos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% dos casais em idade de procriação procuram ajuda médica, tentando realizar o sonho de ter filhos. A infertilidade, geralmente, é diagnosticada após dois anos sem o casal atingir a concepção. De modo geral, a origem da infertilidade é:

* Em 40% dos casos, o problema de fertilidade é exclusivamente do homem
* Outros 40%, exclusivamente da mulher
* Para 10%, os empecilhos são de ambas as partes
* Nos 10% restantes as causas não são identificadas