| Crianças com boas defesas naturais também se recuperam mais rapidamente dos problemas respiratórios. |
Como evitar que um resfriado infantil se transforme em pneumonia? O conceito mais atual de prevenção desta doença ensina que é preciso começar bem cedo, quando o bebê ainda está no útero, conforme mostram estudos que estão sendo apresentados durante o 60.º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria, que começou no último dia 1.º e que termina hoje em Gramado (RS). O evento é organizado pela Nestlé, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, com apoio das dez escolas de Medicina daquele estado.
“Uma criança que não teve um bom acompanhamento durante o pré-natal e, por isso, nasceu prematura, com peso menor, tem mãe fumante ou não foi devidamente amamentada, está mais suscetível a ter pneumonia, pois sua imunidade natural é mais fraca”, afirma o pediatra Gilberto Bueno Fischer, professor de Pediatria da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre. Segundo ele, a amamentação reduz em até sete vezes os riscos de contrair a doença no primeiro ano de vida, fase em que ocorre maior número de casos e óbitos. Outro cuidado é a correta imunização, com vacinas, contra doenças que podem ter como conseqüência a pneumonia, como o sarampo.
Se a criança tiver essas proteções naturais, ela também pode pegar uma pneumonia, porém os casos são menos freqüentes e o problema se manifesta de forma mais amena. “São situações em que a criança pode apresentar uma deficiência momentânea das defesas do organismo e contrair a doença, mas sua recuperação será muito mais rápida”, explica o pediatra. Há casos também, bem menos freqüentes, de pneumonias causadas por problemas de deglutição ou refluxo gastro-esofágico (em que restos de alimentos acabam indo para a área pulmonar), doenças cardíacas e má-formação dos pulmões.
Sinais de alerta
No caso dos resfriados, de acordo com o médico, há alguns sinais de alerta que podem demonstrar se ele está evoluindo para uma pneumonia. “Se a criança parece ter melhorado, mas a febre volta depois de uns três ou quatro dias, os pais devem procurar um médico”, afirma. Outros sintomas são a tosse persistente e a respiração mais rápida, que exige maior esforço. Ele aconselha os pais a evitarem a automedicação, principalmente com antibióticos, pois acabam reforçando os agentes infecciosos.
Dos cerca de 4 milhões de óbitos infantis/ano no mundo por doenças respiratórias, a grande maioria é por pneumonia e suas complicações. E cerca de 90% dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento. O número de mortes é maior entre as classes sociais de menor poder aquisitivo.
Curso
O 60.º Curso Nestlé de Atualização em Pediatria reúne 85 professores de diferentes regiões do Brasil, abordando temas ligados à gastroenterologia, terapia intensiva, saúde mental, alergia e imunologia, endocrinologia, neurologia, afecções de vias aéreas, cardiologia, nutrição, nefrologia, ortopedia, dermatologia e neonatologia. Cerca de dois mil médicos de todo o País participam do evento.