| Gilka disse que são atendidas trezentas ligações por mês. A grande maioria é do público masculino. |
Os apelos da mídia, a iniciação precoce e os preconceitos muitas vezes geram dúvidas quando o assunto é sexualidade. Uma iniciativa comandada por especialistas da área médica e psicológica está abrindo um canal de informações, para que a população possa esclarecer essas questões. O projeto Amar Bem, lançado em abril deste ano, funciona como um telefone de discagem gratuita atendendo pessoas de todo o País.
A psicóloga clínica, sexóloga, mestre em Educação e coordenadora do projeto em Curitiba, Gilka Borges Correia, comenta que o sexo só é tratado, principalmente nas campanhas do governo federal, em temas ligados a prevenção da gravidez ou de doenças sexualmente transmissíveis. Por outro lado, a mídia utiliza o erotismo como critério de pós-modernidade e acaba ditando “normas e valores morais” para a sociedade – nesse caso, atingindo principalmente os adolescentes, muitos dos quais sem capacidade e referências para interpretar as mensagens. Isso, segundo Gilka, cria mitos e preconceitos que dificultam a convivência a dois e os relacionamentos de forma digna e prazerosa.
A comprovação dessas dificuldades são evidentes nos questionamentos feitos por telefone ao projeto Amar Bem. De acordo com Gilka, os médicos e psicólogos atendem cerca de trezentas ligações por mês. A maioria são homens, que querem saber sobre disfunção erétil, ejaculação precoce e falta de desejo por parte da mulher. “Esses são temas que eles dificilmente falam com um profissional, por puro preconceito”, avaliou Gilka. A faixa etária das pessoas que ligam para o projeto está entre 30 e 40 anos e acima de 60 anos. “Isso demonstra que as pessoas que entram na terceira idade também estão sexualmente ativas, embora muitos desconsiderem essa informação”, comentou a profissional. (Rosângela Oliveira)
Serviço – O projeto Amar Bem atende pelo telefone 0800-77-6543, de segunda-feira a sexta-feira das 8h às 14h.