O Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, realizou na última terça-feira o 100º transplante de rim infantil. A paciente, uma garota de 15 anos de idade, passa bem e deve deixar a unidade de terapia intensiva (UTI) ainda hoje, segundo o cirurgião Antonio Ernesto da Silveira, que realizou o transplante juntamente com outros quatro cirurgiões. A estimativa é que pelo menos 50 crianças estejam na fila, à espera de um rim.

“Uma característica do Paraná é que a Central de Transplantes tem como prioridade atender as crianças. Mesmo assim, muitos não têm consciência da importância de doar órgãos”, aponta a nefropediatra Rejane de Paula Meneses, chefe do serviço nefrologia infantil do Hospital Pequeno Príncipe. No hospital, o programa de transplante renal foi criado em 1989.

Dos cem transplantes realizados no período, 70 são funcionantes ou “ativos”. O índice equivale, segundo o cirurgião Antonio Ernesto da Silveira, às estatísticas dos centros internacionais, que obtêm 65% de sobrevida do rim transplantado. De acordo com o médico, a sobrevida do órgão é de 85% a 90% no primeiro ano de vida e de 65% a 70% entre o 5.º e o 10.º ano.

De acordo com a nefropediatra Rejane Meneses, o principal avanço da medicina em relação a transplante de rins é o nível de prevenção de complicações, além do manuseio de drogas imunosupressoras capazes de evitar a rejeição do enxerto. “Mas não adianta dispor de recursos, sem o trabalho intensivo com a família. Há muita falta de cuidado pós-transplante principalmente por parte de adolescentes, que param de tomar remédio. Daí a importância da atuação da equipe multidisciplinar”, alerta ela. Do total de transplantados, sete tiveram que fazer o retransplante – por rejeição do órgão – e outros três morreram. “O índice de sobrevida do paciente é muito bom”, afirma a médica.

No histórico do 100.º transplante, 76 doações foram provenientes de doador vivo e 24 cadáveres. Nos Estados Unidos, órgãos obtidos de doadores já falecidos respondem por mais de 60%. Na Europa, o índice ultrapassa 80% dos transplantes renais.

Nefrologia pediátrica

Total de pacientes em atendimento: 353 (inclui os cem já transplantados); Número de transplantes realizados: 100; Pacientes em tratamento conservador, que retarda perda da função renal: 75; Pacientes transplantados com enxerto em funcionamento ou “ativo”: 70; Pacientes em atendimento pela Unidade de Hemodiálise: 52; Pacientes em diálise peritoneal: 20; Transplantes realizados em 2002: 19; Pacientes retransplantados: 7