É um consenso entre médicos e profissionais da área das ciências do esporte de que as pessoas fisicamente mais ativas são mais saudáveis ou tendem a experimentar menores taxas de mortalidade por doenças crônicas degenerativas.

“A atividade física é um comportamento que, somando-se com a alimentação sadia, a genética e o meio ambiente favorável, faz com que a criança atinja seu potencial de crescimento e desenvolvimento normal e conseqüentemente, um bom nível de saúde”, declara a pediatra Fátima Parente de Araújo.

A prática de exercícios se torna ainda mais recomenda na atualidade, quando os avanços tecnológicos obtidos pela sociedade moderna, fazem com que algumas crianças e adolescentes se tornem sedentários, incrementando problemas como a obesidade e as suas conhecidas complicações.

Outra constatação dos especialistas é de que seja bem provável que os hábitos de atividade física adquiridos na infância influenciam o nível de atividade física na idade adulta. No mais, a prática regular de atividade física pode-se tornar um hábito saudável no controle e tratamento da obesidade em todas as fases da vida.

Nada de competição

De acordo com Fátima Araújo, com liberdade e maior descontração, ter uma orientação espaço-temporal e capacidade para um convívio social mais adequado com alongamentos, jogos entre brincadeiras, faz com que uma criança tenha mais equilíbrio, coordenação motora e sem dúvida nenhuma, qualidade de vida.

A médica admite, no entanto, que essa criança deva praticar esportes, porém, nunca ser estimulada a competir na primeira fase de sua vida, mesmo porque ela não compreenderia tal disputa e não deve ser tratada como um atleta.

Embora já conhecidos alguns dos efeitos benéficos da atividade física regular na prevenção e controle de certas doenças na idade adulta, pouco tem sido pesquisado em relação aos efeitos do exercício físico nas crianças. Mas recentemente tem surgido um interesse direcionado a promover a atividade física regular em crianças.

Sabemos que a criança que pratica atividade física tem uma qualidade de vida melhor. Seu peso é mais bem controlado, aumenta a sua capacidade cardiorrespiratória, fica mais tranqüila, dorme melhor, melhora o seu humor e se sente mais feliz, trazendo com isso resultados benéficos imediatos e em longo prazo.

Respeitar os limites

“O ser humano quanto mais jovem, mais ativo ele é”, reconhece a pediatra. Portanto, crianças em idade escolar e pré-escolar são mais ativos do que adolescente e adulto.

Quanto às crianças obesas e as desnutridas, sabe-se que elas têm maior predisposição à inatividade física.

As crianças de famílias com nível socioeconômico mais elevado são mais favorecidas com atividade física relacionada com o lazer do que as de um nível oposto, visto que têm mais condições para freqüentarem clubes, academias, parques e condomínios com espaços para brincadeiras e atividades desportivas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem se preocupado com a prevenção da obesidade, por achar que ela já é uma epidemia mundial. No Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos últimos 30 anos, aumentou em 35% a proporção de crianças e adolescentes acima do peso.

Isso acontece não só pela herança genética, mas pela vida mais sedentária e ausência de estímulos dos pais a pratica de atividades físicas e a uma rotina alimentar saudável.

O cenário, muitas vezes, se torna preocupante e a prevenção por parte da família e professores é o melhor caminho, sendo recomendado à combinação de cardápios equilibrados, incentivos às atividades físicas diárias e diminuição do se,dentarismo. “Sempre respeitando, acima de tudo, os limites de cada criança”, completa a médica.

Atividades indicadas a cada idade

* Até os 6 anos de idade: só brincadeiras
* Dos 6 aos 10 anos: atividades que envolvam as qualidades físicas básicas: coordenação, equilíbrio, agilidade, ritmo; e que envolva trabalhos de manipulação, locomoção e equilíbrio
* Dos 11 aos 14 anos: experiência e iniciação com várias modalidades esportivas
* Acima de 15 anos: atividades esportivas competitivas, musculação, trabalho cardiovascular, exercícios corretivos, alongamentos, natação competitiva.

Sobrecarga é prejudicial

Qquando a criançada exagera nas atividades físicas, acaba expondo o corpo a outros riscos. “O exercício físico feito com o devido cuidado beneficia a saúde, além de ajudar no processo de emagrecimento”, comenta o professor de educação física Gilberto Baccan Junior. Só que, em contrapartida, se for feito de maneira incorreta, poderá causar, até mesmo nas crianças e adolescentes, sobrecarga excessiva nas articulações.

A obesidade e o sobrepeso já exercem uma carga constante sobre as articulações. Havendo excesso de exercícios ou prática inadequada, os riscos de desgaste e problemas aumentam.

Para evitar lesões, crianças e adolescentes devem praticar preferencialmente atividades com movimentos de baixo impacto, que utilizem força e agilidade para fortalecer a musculatura. Jogos e brincadeiras que envolvam muitos saltos devem ser evitados.

Antes e depois de qualquer atividade física, crianças e adolescentes têm a mesma recomendação dada aos adultos: fazer alongamento e aquecimento, além de ficar atento à postura corporal durante os exercícios.

Quem sofre com obesidade e sobrepeso deve ter cuidados redobrados com as articulações dos membros inferiores (joelho e tornozelo) e com a coluna. “Nesses casos, os riscos de lesões são maiores”, alerta Baccan.