No Brasil, é crítica a qualidade de vida de uma pessoa com doença grave, sem possibilidade de cura. Mais de 70% desses pacientes dão entrada em atendimentos com dores e fragilizados. E o que é pior: 50% deles morrem sentindo dor. Internada em hospitais e unidades de saúde afins, a maioria não é tratada de forma adequada, recebendo, além de assintência terapêutica e medicação, assistência interdisciplinar, emocional e psicossocial, que, aliás, teria de se estender também aos familiares, se contássemos no Brasil com uma política pública direcionada aos cuidados paliativos.
Estas questões foram debatidas no dia 6 de outubro, Dia Mundial de Cuidados Paliativos. Segundo levantamento da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), é limitado o número de instituições brasileiras com atendimento integrado nesse segmento. Para se ter exemplos, no Canadá, com 30 milhões de habitantes, existem cerca de 10 mil serviços de cuidados paliativos. Nos Estados Unidos, anualmente, mais de 1 milhão de pessoas são atendidas por especialistas da área. No Brasil, com mais de 189 milhões de habitantes, temos pouco menos de 20 serviços cadastrados.
A falta de investimento em cuidados paliativos é decorrência da escassez de informação da sociedade. Advém, ainda, do preconceito de muitos profissionais, da inexistência de políticas públicas e, inclusive, da ausência de educação médica específica. Conforme dados do IBGE, as principais causas de morte entre os brasileiros são os cânceres, acidentes vasculares cerebrais, infartos agudos do miocárdio e de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Estas patologias são apenas algumas das inúmeras que podem ser tratadas com cuidados paliativos, contribuindo inclusive para liberação de leitos em hospitais.