A osteoporose é uma doença silenciosa, caracterizada pela baixa massa óssea e pela deterioração da micro-arquitetura do tecido ósseo. Essa condição de fragilidade dos ossos eleva os riscos de fratura.

A cada momento, cerca de 30% da massa óssea de cada um dos nossos 206 ossos está sendo continuamente renovada, sem prejuízo para a massa óssea total. O esqueleto é composto por dois tipos de ossos: o cortical e o trabecular. O osso cortical é responsável por 80% da massa óssea total, e o osso trabecular forma os 20% restantes, constituindo os corpos vertebrais e grande parte do colo do fêmur. Enquanto o osso trabecular é renovado em 25% da sua totalidade durante o ano, somente de 2 a 3% do osso cortical é renovado. O pico de massa óssea do adulto normal é o resultado do equilíbrio entre duas células existentes no tecido ósseo. O pico de massa óssea no adulto é conseguido ao final ou logo após o esqueleto ter atingido seu crescimento linear. Este pico é chamado de massa óssea crítica.

Entre homens e mulheres, elas ficam na desvantagem. Dados do IBGE apontam que 54% da população brasileira é composta por mulheres, cerca de 88 milhões. Quase 30 milhões de mulheres estão acima dos 50 anos e cerca de 10 milhões acima dos 60. Aos 50, a relação de fraturas osteoporóticas entre o sexo feminino e o masculino é de 6:1. Aos 70, essa relação diminui para 2:1. Pode-se considerar que uma em cada cinco mulheres acima dos 50 anos será vítima de fratura durante o ano, quer seja de fêmur, quer seja de vértebra ou punho.

A idade é um fator determinante de massa óssea em ambos os sexos. Perto dos quinze anos, as meninas já adquiriram cerca de 90% do seu pico de massa óssea, completando-o até os trinta anos. A partir dos 35 anos, a mulher pode começar a perder massa óssea. Certamente, a partir dos 45 anos a perda é mais acentuada. Se a mulher passar pela menopausa antes dos 45 anos, suas chances de desenvolver osteoporose aumentam. Algumas perdem de 10 a 15% de sua massa óssea nos primeiros oito anos após a menopausa. Geralmente, o problema se inicia pela coluna vertebral.

Entre as raças, a negra apresenta um risco menor de osteoporose, quando comparada à branca e à oriental, que também apresenta um alto risco. A massa óssea é determinada em cerca de 70% por fatores genéticos ? genes receptores de vitamina D, calcitonina, estrógeno e colágeno.

O fumo, o álcool e o café, embora sendo fatores menores, aumentam o risco de osteoporose. O sedentarismo, o estresse e a baixa ingestão de cálcio também são fatores contribuintes. Se a pessoa nada pode fazer quanto aos fatores genéticos, ao menos pode adquirir hábitos saudáveis. O fumo leva a uma diminuição de massa óssea corporal, principalmente na coluna vertebral. O álcool põe em risco principalmente a região do fêmur.

“Uma vez que 70% da osteoporose são decididos geneticamente, há que se cultivar bons hábitos para garantir os outros 30%”

Levando-se em conta que a massa óssea crítica é determinada em 90% perto dos 14 ou 15 anos, se essas adolescentes chegarem à vida adulta com menor massa óssea, a chance de terem osteoporose é maior. Esses resultados implicam diretamente em melhorar os hábitos alimentares e a saúde das crianças.

Na verdade, as mães devem se preocupar com seus bebês ainda durante a gestação, mantendo uma ingestão adequada de cálcio. Os refrigerantes tipo cola também devem ser evitados ao máximo, uma vez que podem estar associados a fraturas ósseas em adolescentes fisicamente ativas. A quantidade de massa óssea que a pessoa tiver aos 35 anos poderá determinar se ela terá ou não osteoporose aos 65. Portanto, é importante, aos 35 anos, quantificar a massa óssea, principalmente em pacientes com fatores de risco aumentado. Para tanto, pode-se utilizar a densitometria óssea ou a ulta-sonometria.

A densitometria óssea é feita por absorciometria, por raio-x de dupla energia, e define a densidade mineral óssea. Os conceitos de osteoporose baseiam-se na comparação entre as informações do paciente com dados de um adulto jovem saudável. Essas comparações são expressas em desvios-padrão (T-scores). Há também a ultra-sononometria óssea. São ondas de ultra-som, vibrações mecânicas, aplicadas ao tecido ósseo com o objetivo de avaliar suas propriedades físicas. Pode ser realizada no calcâneo, na tíbia, rádio, patela ou falanges, locais onde existem poucos tecidos moles.

* A dra. Maria Cecília Anauate é médica reumatologista do Hospital Santa Paula (SP)