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O ano letivo acaba de começar. Muito se fala sobre materiais escolares, o excesso de peso na mochila e da escola ideal para as crianças. Porém, pouco se discute sobre a alimentação dos alunos quando estão em período de aulas. "Hoje em dia, os pais também precisam se preocupar com este aspecto, já que os índices de obesidade infantil vêm crescendo ano a ano e já afetam muitas crianças brasileiras", afirma a nutricionista Lucilene Andrade.

Longe da fiscalização dos pais, as cantinas das escolas se transformaram no "parque de diversões" preferido das crianças em idade escolar. Lá elas estão mais sujeitas a consumir salgadinhos e guloseimas que, aliados ao sedentarismo, uma das maiores pragas dos tempos atuais, colaboram ostensivamente para o aumento de peso e a conseqüente obesidade cada vez mais freqüente nas crianças.

A nutricionista comenta que, devido a falta de tempo dos pais, as crianças não levam mais lancheira para a escola. "Muitas vezes é daí que vem o perigo", adverte. Conforme Lucilene, a praticidade das cantinas escolares, que oferecem lanches, doces, salgados e outros tantos alimentos, como os famosos junkie foods, estimulam a má alimentação e contribuem para o aumento das taxas de obesidade, um passo para o surgimento de doenças como o diabetes e outras doenças associadas ao excesso de peso.

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Muitas calorias, poucos nutrientes

Segundo a nutricionista Cristiane Azevedo, há pais que, por comodidade, costumam optar por lanche mais fácil de ser preparado, que invariavelmente incluem produtos industrializados, como biscoitos, chocolates e salgadinhos. "Mas esses alimentos têm poucos nutrientes, além de serem ricos em gorduras e calorias", avisa. As lanchonetes no interior das escolas também acabam envolvendo as crianças, com o irresistível hambúrger/batata frita. Outra opção, de acordo com a nutricionista, é incentivar os pequenos a prepararem seu próprio lanche, guiando-os para os alimentos mais nutritivos. A idéia é educar as crianças de maneira que saibam o valor dos alimentos que contêm vitaminas e sais minerais e que não engordam.

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Conforme o Programa Nacional de Alimentação Escolar, o lanche na escola deve suprir cerca de 15% das necessidades diárias de uma criança. Em média, cerca de 350 calorias, dentro da faixa etária dos 6 aos 14 anos de idade. Por isso, a nutricionista Cristiane Azevedo explica que o lanche deve contemplar um equilíbrio de nutrientes. "Os pais devem optar por alimentos mais saudáveis como os cereais, frutas, verduras e alimentos ricos em proteínas como o leite, queijo ou iogurte", ensina.

Controle freqüente

Para crianças que permanecem o período integral na escola, o consumo de nutrientes deve ser duplicado. O ideal é que, no almoço, ela consuma entre 700 e 800 calorias. "Um almoço saudável deve conter: verduras cozidas ou uma salada, uma porção de carne, de preferência branca, como peixe, peru ou frango, e uma sobremesa. Coxinhas, pastéis e outras frituras não devem substituir uma refeição normal", ressalta Cristiane Azevedo.

Para os nutricionistas, os alimentos vendidos na cantina têm de ser alvo de um freqüente controle. Felizmente, esse já é um cuidado que está se tornando habitual em muitas escolas do Paraná. "A criança pode até comer um hambúrguer assado, desde que não venha acompanhado de batatas fritas", ressalta Cristiane. Pode também se alimentar com biscoitos recheados, desde que não coma o pacote inteiro. Outra orientação é evitar o consumo de refrigerantes, preferindo sucos e achocolatados. A prevenção neste, com em muitos outros casos, ainda é o melhor remédio.