Existe uma preocupação muito grande com o atendimento médico humanizado e com a gestão de recursos na área da saúde, fato que ocasionou o ressurgimento de uma espécie quase em extinção: o médico de família.
OLHO: A tendência da medicina moderna é supervalorizar cada vez mais os exames complementares altamente sofisticados, desvalorizando, com isso, o relacionamento médico-paciente.
Depois de algum tempo meio “fora de moda”, o médico de família, aquele que acompanha o histórico de saúde do paciente e desenvolve um vínculo de confiança com ele e seus familiares, voltou a ganhar destaque na medicina. É cada vez maior a sua atuação nas populações de baixa renda, que nunca tiveram acesso à assistência médica. “Pode ser que esta súbita valorização do especialista em clínica médica se deva aos altos custos da medicina moderna”, argumenta o clínico Cesar Alfredo Pusch Kubiak, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica – Regional Paraná.
O papel do clínico voltou a ser valorizado como um “gerenciador” da saúde do seu paciente, além de se tornar um fator de moderação nos custos da assistência à saúde, principalmente na equação: custo/benefício/eficácia. Para comprovar a afirmativa, Kubiak, recorre a estatísticas que indicam uma diminuição do número de exames e consultas desnecessárias, salientando que em cerca de 90% dos casos o diagnóstico pode ser dado pelo próprio clínico. “Daí a importância da revalorização da especialidade, que andava meio esquecida pela comunidade científica”, salienta, citando como exemplo o recém-criado curso de Medicina do UnicenP, em Curitiba, que privilegia a formação generalista da profissão.
Título de especialização
A mudança nesse tipo de comportamento, no entender do médico, é essencial para reforçar o vínculo entre médico e paciente. Conforme o presidente, o clínico passa a ter maior controle e conhecimento sobre as condições do paciente, ganhando, com isso, maior confiança da sua parte. O médico de família dos novos tempos é um clínico com pós-graduação – residência médica, curso de especialização e aperfeiçoamento, que prestou concurso público e obteve o título de especialista em clínica médica, registrado nas entidades de classe da área médica. “Não confundir com o médico generalista, que é o graduado em medicina e que inicia suas atividades logo após concluir o curso de Medicina”, observa.
Muitos médicos generalistas se intitulam clínicos, assim como profissionais de outras especialidades também. Para o dirigente, salvo exceções, muitos se tornam apenas responsáveis pela triagem dos pacientes, em desprestígio ao verdadeiro clínico. No entender de Kubiak, é importante que a prática da clínica médica seja exercida por opção e por formação, nunca por exclusão. Ele destaca que alguns pré-requisitos, como conhecimento, atualização, reciclagem, aperfeiçoamento tecnológico e vivência humanística, entre outros, são imprescindíveis no perfil desse médico.
Articulador entre as especialidades
Kubiak ressalta que o limite da atuação do clínico é a sua competência. Na prática, o médico de família assiste pacientes a partir da pré-adolescência. Segundo os médicos, a especialidade acompanhava inicialmente os idosos, já que eles sempre necessitaram de maiores cuidados e apresentam maior dificuldade de locomoção. Os médicos de família podem atuar tanto nas questões de emergência quanto em caráter ambulatorial. Dentre os casos mais atendidos no consultório, destacam-se as patologias de rotina, check-up e prevenção de doenças.
Além de exercer o papel de consultor, o clínico se torna o articulador entre os diversos especialistas, respeitando as áreas de atuação, mas a sua principal função é a de conduzir os casos, desde a fase diagnóstica até a terapêutica, acompanhando, passo a passo e por longos anos, os seus pacientes.
O médico de família:
· Promove assistência médica de qualidade, dentro de princípios éticos e humanitários.
· Assegura cuidados médicos de qualidade aos indivíduos e/ou famílias sob sua responsabilidade.
· Orienta sobre os cuidados preventivos de saúde.
· Está envolvido com os cuidados de saúde primários e secundários.
· Utiliza, de forma racional, as tecnologias apropriadas aos cuidados de saúde.
· Se preocupa com a relação custo/benefício/eficácia.
· Promove a interdisciplinaridade entre os profissionais de outras especialidades.
· Coordena todos os cuidados de saúde relativos ao paciente.


