Nos últimos anos, podemos presenciar o crescimento dos índices de sobrepeso e obesidade no mundo. A relação entre essa verdadeira epidemia e as complicações médicas é bem definida. À medida que aumenta o peso corporal, o risco do surgimento de doenças aumenta significativamente. Por exemplo, a incidência de hipertensão arterial na obesidade é maior do que em indivíduos de menos índice de massa corporal (IMC). De todas as complicações inerentes à obesidade, o diabetes mellitus e as doenças cardíacas são as mais comentadas.
No entanto, igualmente alarmante é o acometimento do fígado pelo acúmulo de gorduras em suas células, que pode evoluir para uma esteatose hepática, vulgarmente conhecida como ?fígado gordo? e, nos casos mais graves, levar a uma cirrose hepática. ?Essas formas de lesões, caracterizadas pelo acúmulo de gordura no fígado, não têm relação com o consumo abusivo de álcool e se transformaram nas lesões hepáticas mais freqüentes em diversos países?, alerta a endocrinologista Ellen Simone Paiva. A prevalência estimada do distúrbio é de entre 10% a 25% na população em geral, 74% entre os obesos e, provavelmente, 100% das pessoas que têm diabetes e obesidade associadas.
De acordo com especialistas, a origem desse tipo de doença pode ser uma alteração na ação da insulina, fato que ocorre nos diabéticos tipo 2 e em alguns pacientes que se encontram acima do peso. O organismo destas pessoas passa a produzir maiores quantidades de insulina para compensar uma espécie de ?defeito?, passando, com isso, a estocar ainda mais gordura nas células do fígado. Esse quadro é chamado de resistência insulínica e quando ocorre em um paciente não diabético serve de alerta para o surgimento da doença.
Dietas nutricionais
?Por outro lado, é possível encontrar pacientes magros com esteatose hepática, pois, apesar de mais rara, a resistência insulínica pode ocorrer em pessoas com peso normal, tornando-as mais suscetíveis ao desenvolvimento de diabetes e de hipertensão arterial?, considera Ellen Paiva. Conforme a especialista, em crianças e adolescentes o quadro tem se mostrado ainda mais grave pela pouca resistência do fígado ao acúmulo de gordura.
De acordo com a literatura médica, a perda de peso pode ser considerada com a pedra fundamental no tratamento da doença e suas complicações. Com a redução de peso e a conseqüente diminuição da gordura corporal, se consegue reduzir, também, o excesso de gordura do fígado. Conforme a endocrinologista, os princípios das dietas para alcançar esses objetivos têm mudado muito nos últimos anos. ?As pesquisas científicas mais recentes têm apontado melhores resultados quando a proporção de carboidratos se reduz, cedendo lugar para um pequeno aumento no consumo de gorduras boas ou insaturadas?, completa.
Fatores associados
O acúmulo de gordura no fígado é, provavelmente, uma conseqüência comum de diversas doenças, com mecanismos diferentes, entre elas:
> Cirurgias abdominais
> Tratamentos medicamentosos
> Exposição crônica a produtos químicos
> Hepatite C
> Síndrome metabólica
> Outras doenças hepáticas
Modificação dietética
Para levar à perda de peso qualquer dieta se baseia na redução das calorias, fazendo com que haja uma defasagem entre o gasto calórico do paciente e a quantidade de calorias da dieta. Para perder peso não interessa o teor da dieta, nem o percentual de carboidratos, gorduras e proteínas ou a quantidade de refeições diárias. O que interessa é comer menos do que se gasta. Entretanto, uma dieta alimentar e para emagrecimento ao mesmo tempo, deve atender às necessidades nutricionais das pessoas, utilizando uma proporção ideal de nutrientes.
Além de levar a perda de peso, uma dieta deve ser balanceada, ou seja, conter carboidratos, proteínas e gorduras numa proporção de 60%, 15% e 25%, respectivamente, como comprovam as maiores entidades de pesquisa em nutrição do mundo, incluindo a Associação Americana de Diabetes e de Cardiologia.
"Os estudos sobre a esteatose comprovam que se conseguem melhores resultados, quando se reduz a quantidade de carboidratos para cerca de 40% e aumenta-se o teor de gorduras para cerca de 45%", atesta Ellen Paiva.
Essa alteração pode parecer contraditória, mas, conforme explica a médica, o nutriente que mais estimula a produção de insulina é o carboidrato e, isso, parece acentuar a hiperinsulinemia presente nos pacientes com esteatose, agravando a resistência insulínica. Logo, passa-se a reduzir a quantidade de carboidratos nas dietas desses pacientes. "Isso não significa seguir uma dieta de proteínas, também não significa abolir os carboidratos, pelo contrário, a porcentagem de proteínas continua a mesma, o que se recomenda é aumentar o teor de gorduras", explica a especialista.


