ms2210606.jpgA doença sexualmente transmissível (DST) mais comum no mundo é causada pelo HPV (human papilomavirus), que é o vírus causador de verrugas genitais e, também, responsável pela maioria dos casos de câncer de colo de útero. No Brasil, cerca de sete mil mulheres morrem anualmente por esse tipo de tumor. O HPV apresenta diversos subtipos, dos quais alguns podem ser considerados mais malignos. Nesse caso, a evolução costuma ser muito rápida e o desenvolvimento do câncer é uma questão de tempo. Além da ação direta do vírus, existem outros fatores associados ao câncer, como, por exemplo, a idade de início da infecção, o número de parceiros sexuais e os fatores genéticos de predisposição.

O ideal é que a mulher faça a cada seis meses ou um ano o exame preventivo (papanicolau) e, em alguns casos, realize, concomitantemente, o exame PCR qualitativo. Isso porque nem sempre o exame papanicolau sozinho consegue detectar o vírus. Vale ressaltar que a melhor conduta vai depender da paciente e das indicações do médico.

O diagnóstico deve ser estabelecido o mais precocemente possível, para que se possa iniciar o tratamento adequado. Além disso, se deve sempre recomendar o uso de preservativos e a investigação precoce de outras DSTs, que inclui exames de HIV, sífilis, hepatite B, entre outros. Uma novidade deve chegar ao mercado brasileiro no segundo semestre deste ano: a vacina contra HPV. Indicada para as mulheres que estão iniciando sua vida sexual ou para aquelas que não têm a doença. A previsão é de que a vacina obtenha uma eficácia média de 70%. Tal taxa de proteção pode ser considerada importante, mas as pessoas devem estar conscientes de que podem ocorrer falhas.

Somente para citar um exemplo de sucesso, basta dizer que outra DST, a hepatite B, apresenta índices decrescentes associados às campanhas de vacinação, sem mencionar que a vacina contra hepatite B tem eficácia de 95%.

Duas vacinas deverão chegar ao Brasil. A primeira é a Gardasil, que deve ser lançada no próximo semestre. A segunda é a Cervanix, que só deve chegar em 2007. Como existem centenas de tipos de vírus do HPV, mesmo com a vacina, as mulheres não estarão totalmente protegidas da doença.

A imunização deve ser feita em três aplicações, de quatro em quatro anos, segundo os estudos feitos até agora. A vacina contra HPV é um avanço tecnológico e uma verdadeira luz para controle dessa insidiosa doença.

Jaime Rocha, infectologista, consultor no Paraná da Dasa – Diagnósticos da América.