Neste dia 8 de março é celebrado em todo o mundo o Dia Internacional da Mulher.

Comemorado em alguns países desde o início do século XX, foi reconhecido pela ONU em 1975, durante a realização, no México, da Conferência Mundial do Ano Internacional da Mulher, que definiu a década da mulher a partir daquele ano. A data é uma homenagem a todas as mulheres, em especial, àquelas que nos vários momentos da história da humanidade lutaram pelos seus direitos. É a oportunidade para lembrarmos das conquistas, dos avanços, mas também das lutas perdidas. De entendermos que os papéis que a sociedade, em cada cultura, estabelece para as mulheres, na relação de gênero, não são biológicos ou naturais, podendo e devendo ser transformados até se tornarem mais equitativos.

Um dos marcos históricos foi a Revolução Francesa, quando as mulheres passaram a atuar de forma mais significativa, reivindicando o acesso à educação, melhorias das condições de vida e trabalho, a participação política, o fim da prostituição e a igualdade de direitos entre os sexos. Outro foi a Revolução Industrial, com o ingresso no mercado de trabalho, recebendo baixos salários, por longas jornadas, trabalhando em ambientes insalubres, com relatos de espancamentos e ameaças sexuais.

Foi nos Estados Unidos, com a elaboração em 1848 da Declaração dos Direitos da Mulher, que ocorreram as primeiras manifestações organizadas em prol desses direitos. O lançamento da pílula anticoncepcional em 1960, os movimentos feministas da década de 70 e a expansão da participação no mercado de trabalho e nos movimentos sociais são apontados como fatos que aumentaram e qualificaram a participação da mulher na sociedade.

No Brasil, a data é comemorada desde 1947, sendo que a Constituição de 1988 declarou a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Direito ainda não consolidado, apesar de as mulheres estarem em maior número na população, em igualdade nos anos de escolaridade e sua expectativa de vida ser oito anos a mais. É oportuno refletirmos sobre as desigualdades ainda vividas, que trazem, entre outras, conseqüências à saúde física e mental, agravadas pelas distorções do nosso sistema social, que ainda coloca a mulher em muitas situações como cidadã de segunda classe, vítima da discriminação, da violência e do deficiente sistema de assistência social, de educação e de saúde pública.

O que nos mostra que, apesar dos avanços, muito ainda tem que ser feito. E de entendermos, definitivamente, que as mulheres não querem ser homens. Desejam apenas um tratamento igualitário e a liberdade de pensar e agir. Rediscutindo o seu papel na sociedade, os seus direitos e deveres, dividindo as responsabilidades e assumindo novas tarefas, pondo fim à discriminação e à violência.

Odair Albano, ginecologista e obstetra.

“As mulheres não estão inteiramente erradas quando rejeitam as regras de vida determinadas para o mundo, uma vez que foram estabelecidas apenas pelos homens, sem seu consentimento.” Michel Montaigne, 1588.