Sempre é bom alertar sobre a importância de se entender e trabalhar as dificuldades que uma criança possa ter no início de sua vida escolar e que, se não percebidas e diagnosticadas a tempo, podem trazer graves complicações.

Os disléxicos têm inteligência normal. Porém, não é assim que a maioria das pessoas os vê enquanto não existe um diagnóstico, principalmente na sua fase inicial de aprendizagem. Devido à falta de preparo de professores, orientadores e até dos pais, e, em função de suas dificuldades, podem ser marginalizados na sua vida escolar, o que causa rebaixamento de sua auto-estima, insegurança e uma aversão ao processo de aprendizagem e à escola.

Já passei e ainda passo por isso, porém agora, com maior preparo, devido a um caso de dislexia na família. Meu filho mais velho foi diagnosticado como disléxico quando freqüentava a 2.ª série do ensino fundamental. Até então era tachado pelos professores como preguiçoso e desinteressado.

Ao passar para a 2.ª série, trocou de escola e sua nova professora notou que ele tinha potencial, porém as dificuldades na escrita e leitura estavam atrapalhando o seu desenvolvimento. Solicitou-me que eu procurasse ajuda de um neurologista. Levei-o a um especialista, que não identificou nenhum tipo de problema neurológico e, por sua sugestão, entrei em contato com a ABD (Associação Brasileira de Dislexia), que me indicou o caminho a seguir. Foi diagnosticada dislexia em grau médio e sugerido um tratamento psicopedagógico. Em quatro meses de acompanhamento já deu para sentir importantes progressos na sua escrita e leitura.

As crianças disléxicas aprendem de maneira diferente. Devem ter apoio e acompanhamento para contornar suas dificuldades. Não necessariamente os professores devam ser especialistas em problemas de aprendizagem, mas é imprescindível que todos entendam as necessidades dos alunos disléxicos. Deve ficar claro para os professores que as respostas orais dos alunos disléxicos são muito melhores do que suas habilidades escritas.

Meu filho teve a oportunidade de encontrar um professor que se interessou pelas suas dificuldades. Acredito que daqui para frente tudo será mais fácil. Fico a imaginar que muitas crianças que não tiverem essa oportunidade e apoio possam ser consideradas sem capacidade para os estudos.

A dislexia não é uma barreira para o sucesso profissional. Pessoas bem sucedidas conviveram com o distúrbio, entre elas, Leonardo da Vinci, Thomas Edison, Albert Einstein, Walt Disney, Agatha Christie, Tom Cruise e Robin Williams, entre outros.

Os disléxicos jamais devem aceitar ser chamados de preguiçosos, burros ou retardados. Os disléxicos devem aceitar suas dificuldades, não devem escondê-las. Devem encará-las como desafios e, com a ajuda dos pais e professores, identificar seus talentos e usá-los intensamente.

Anita Kosicov Perugini, pedagoga.