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O Life Port faz parte da última
geração em cateteres.

Rodrigo, 13 anos de idade, passou por um transplante de medula para curar uma leucemia diagnosticada precocemente. A cirurgia foi um absoluto sucesso e o garoto, que reside no interior do estado, tem amplas possibilidades de voltar para casa sem qualquer resquício da doença. Por enquanto, o que o incomoda são os tratamentos quimioterápicos, em que recebe medicação pela veia, situação que já lhe causou graves transtornos. "A ocorrência de inflamações, conhecidas por flebites, é muito comum em pacientes oncológicos", resume o coordenador do Instituto de Bioengenharia (IBEG), Luciano José Biasi.

Nesse sentido, os pacientes que necessitam passar por esse tipo de tratamento ou aqueles que passam por infusões freqüentes de medicamentos, como os de HIV, ou, ainda, que necessitam de nutrição parenteral (através da veia) permanentemente, entre outros casos, acabam de receber uma importante notícia: o IBEG, instituto mantido pelo Hospital Erasto Gaertner, referência nacional no tratamento do câncer, acaba de lançar o Life Port, um sistema de acesso vascular, totalmente implantável, que, praticamente, elimina o risco da incidência de flebites.

"A diminuição das reações em comparação com o método convencional é apenas uma das vantagens desse cateter", analisa Biasi. O Life Port, totalmente desenvolvido no IBEG, vem acompanhado de um kit de introdução, que reduz pela metade o tempo cirúrgico da sua colocação. Ao ser implantado, garante o coordenador, o cateter permite a realização de mais de três mil procedimentos. "Os cateteres totalmente implantáveis proporcionam acesso vascular prolongado, baixo risco durante inserção e remoção, fácil manutenção, conforto e segurança para o paciente e baixo índice de complicações", adianta.

3 mil por mês

O Life Port faz parte da última geração em cateteres. Desenvolvido em titânio, metal biocompatível, seu uso já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil e pelo FDA (órgão responsável pela fiscalização e aprovação de medicamentos nos Estados Unidos). Biasi explica que os cateteres semi-implantados, utilizados até hoje, têm uma vida útil que pode variar de alguns dias a poucos meses, enquanto que os totalmente implantados podem permanecer por vários anos.

"Hoje, a tecnologia para desenvolvimento desses produtos requer muito investimento, por isso temos que comemorar esse pioneirismo", exalta o coordenador. Por enquanto, esses cateteres totalmente implantados, em 95% dos casos, são destinados aos pacientes oncológicos em tratamento de quimioterapia. Atualmente, a demanda nacional mensal pelo produto chega a 3 mil cateteres por mês, quantidade que, segundo Biasi, o IBEG possui plena capacidade de atender. Por essa boa nova, Rodrigo e os demais pacientes agradecem.