O uso de uma substância trombolítica, chamada rt-PA, normalmente utilizada para o tratamento do infarto agudo do miocárdio, foi liberado, no início deste ano, pelo Ministério da Saúde, para o tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC) ? conhecido como Derrame Cerebral. A rt-PA será a grande arma para tentar diminuir os altos índices de mortalidade e seqüelas provocadas pela doença. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), atualmente a doença é a principal causa de morte no país e totaliza mais de 85 mil óbitos por ano.

O Hospital de Clínicas Niterói atende cerca de 350 casos por mês e montou essa semana a primeira Unidade de Derrame Cerebral da cidade, que conta com uma equipe multidisciplinar e exames de ponta. O coordenador do Serviço de Neurologia do HCN, Marcus Tulius, explica que há dois tipos AVC: o isquêmico, quando há um bloqueio no fluxo sangüíneo para uma determinada área do cérebro, e o hemorrágico, quando há uma ruptura de artérias extravasando sangue para uma área. “A nova técnica só pode ser aplicada nos casos de AVC isquêmico, que representa cerca de 80% da doença”, esclarece o neurologista. A rt-PA tem a finalidade de dissolver o coágulo que obstrui a artéria afetada do cérebro. “Mas o tempo é fator fundamental no tratamento, pois, a substância tem que ser administrada nas primeiras três horas do início dos sintomas”, alerta Tulius.

A aplicação da nova técnica exige uma equipe habilitada e uma bateria de exames específicos, tais como: tomografia computadorizada e ressonância magnética do crânio, além de avaliações clínicas e laboratoriais. No tratamento, a droga pode ser administrada por via venosa ou arterial, de acordo com a prescrição médica.

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