Nos seres vertebrados o sistema nervoso é dividido em central e periférico. Central é a porção que fica guardada dentro da coluna vertebral e do crânio. Para que se possa ter uma idéia do grau de proteção que a cabeça e a coluna dão ao sistema nervoso central basta assistir lutas de boxe ou vale tudo, acidentes de corridas de motocicleta, carro ou bicicleta. Ou mencionar a história de um paciente que se deu 2 tiros com um 38 cano curto num dos ouvidos. Não só não morreu como nem perdeu a consciência. Como é a regra geral, estes tiros destroem a audição e o equilíbrio daquele lado, mas não fazem nada no sistema nervoso central.

A unidade básica do sistema nervoso é o neurônio. Cada neurônio é composto de 3 partes. A mais complexa, a central de informações, a matriz da empresa, é chamado de corpo neuronal, onde estão as informações genéticas e a usina energética destas maravilhas da natureza. O resto do neurônio serve para fazer o corpo neuronal se comunicar. De um lado existem os dendritos, curtinhos e múltiplos, que estabelecem contato com inúmeros neurônios. Do outro lado do corpo neuronal está o axônio, especializado em comunicação a longa distância. Um axônio pode ter mais de um metro de comprimento, uma enorme distância em relação a um corpo neuronal microscópico. Numa analogia com cidades, os dendritos seriam pequenas estradas vicinais, e os axônios seriam as grandes auto-estradas européias, que unem países através de montanhas, com túneis, sistemas de alimentação, combustíveis, socorro, alfândegas, asfalto especial, pistas com diferentes limites de velocidade.

Morrendo o corpo neuronal, a central da empresa, todo o neurônio morre. Se o axônio for cortado, ele se regenera mal, parcial e lentamente. O corpo neuronal pode sobreviver a um dano axonal grave, mas a função principal do neurônio será prejudicada, pois ele estará privado de sua principal via de comunicação. Já a morte de um dendrito não causa grande constrangimento ao resto do neurônio, e mesmo à sua função, pois existem muitos dendritos. Como as pequenas estradas vicinais. É no sistema nervoso central que estão os corpos neuronais, assim como os “núcleos” e os gânglios, agrupamentos especializados de neurônios. Por exemplo, o sistema motor, que produz os movimentos de nosso corpo, é composto de dois neurônios motores. O neurônio motor superior fica numa região especializada no córtex cerebral, dentro do crânio, pertinho do topo da cabeça. Logo abaixo do córtex fica um grupo complexo de núcleos de neurônios, chamado “gânglios da base”, que regulam os movimentos. Tudo que vem de informação para o neurônio motor superior no córtex cerebral, ou tudo que sai de ordens dele para os neurônios motores inferiores, recebe influência dos gânglios da base. O neurônio motor inferior fica na medula; no caso dos braços, na medula que fica dentro da coluna cervical. No caso das pernas, na medula que fica dentro da parte torácica da coluna vertebral.

Periférica é a parte do sistema nervoso que liga estes neurônios do sistema nervoso central com os seus locais de ação. No sistema motor, os nervos periféricos ligam o neurônio motor inferior, que está na medula, dentro da coluna, ao músculo em qualquer local do corpo. Quando a pessoa vai dar um chute numa bola, ou no marido, é o neurônio motor superior, lá no topo do córtex cerebral, pertinho do topete, que dá a ordem. O impulso desce pelo cérebro, passa pelo tronco cerebral, que fica por trás da base do crânio, e vai pela medula até achar a combinação de neurônios motores inferiores que estimulam da maneira correta os músculos da cabeça, tronco, braços e pernas para efetuar o chute, sem que a pessoa perca o equilíbrio e caia. Os nervos periféricos são principalmente compostos de axônios, por vezes muito longos, como os que levam informações da medula até a ponta dos pés.

Resumindo, os corpos dos neurônios e os grupos de neurônios especializados estão dentro dos ossos do crânio e da coluna vertebral. Assim, o sistema nervoso central é composto principalmente de corpos de neurônios. Já o sistema nervoso periférico é composto principalmente por axônios, o grande cabo que é o principal meio de comunicação a longa distância do neurônio. Além de neurônios o sistema nervoso central e periférico contém um tecido fibroso, a glia, que funciona como proteção e sustentação dos axônios, corpos neuronais e dendritos. No sistema nervoso central a glia é a substância branca do cérebro e da medula, e os corpos neuronais são a substância cinzenta. No sistema nervoso periférico glia é a capa que cobre os nervo como o plástico isolante que cobre um fio de luz.

No sistema nervoso periférico existem locais de confluência de grandes troncos nervosos, como as várias grandes estradas que acabam se unindo próximo às grandes cidades. Ou de maneira semelhante aos anéis periféricos que estão sendo construídos em torno de São Paulo e Curitiba, e que já existem em torno de Paris e Londres há mais de 30 anos. Um dos maiores entroncamentos do sistema nervoso periférico é o plexo braquial, que une vários nervos que saem da medula na coluna cervical, ao longo do pescoço. Embaixo da clavícula esta enorme estrutura reúne os nervos medulares do pescoço, eles se reorganizam, e acabam saindo do entroncamento divididos para cada grupo muscular do braço, antebraço e mão. Outro grande entroncamento do sistema nervoso periférico é o plexo lombo-sacro, que fica ao longo da coluna vertebral, por fora, na região lombar baixa.

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Paulo Rogério M. de Bittencourt
é médico em Curitiba,
www.unineuro.com.br